Ouvi dizer a um
tempo atrás que, em uma relação, às vezes é preciso à vergonha, o pudor, aquela
vergonha ao se tirar a roupa e aquele pedido de “Por favor, não faça isso na
minha frente”, sim, é essencial, melhor que a vergonha nisso tudo, é a
sinceridade, a mesma que rasga a alma, acalma nossa língua e bagunça a ordem
natural de todas as coisas.
Eu queria ter a
alma saturada de mentiras, ter a língua presa de tantas inverdades e ser pior
do que “A Mais bonita” do Chico Buarque, mas não, meu corpo é “revoltes”, minha
alma é livre até a tampa, a ponto de estourar e perturbar teu sono.
Eu queria,
sinceramente, ser o doce das perguntas retóricas, mas não, eu consigo
brandamente ser o amargo das respostas de tais perguntas, há um rebuliço aqui,
que não me deixa parar, a um cansaço que não tem limite em dizer a verdade, há
tudo que não deveria ter, mas tem e ainda assim o digo.