quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

O olhar do homem


O olhar de um homem me pareceu sempre muito igual, talvez nem ligasse pra qualquer olhar... Há alguns anos, não longos anos, eu tive o olhar mais predador que se pode receber em cima da carne, olhos de amor e fogo, viciantes e nada inocentes. Em cima da carne crua de menina, os olhos do lobo e Vazo, me justificaram em mulher e sina, os olhos de homem carente, tristes e mentirosos, me ganharam numa verdade sem igual. Os olhos, de inicio não me pareceram convincentes, mais em meio, me deram verossimilhança a tudo que é de mais sagrado, afetuoso e insano, por fim, os olhos me eram de ódio, desejo e vingança. Acabou-se tudo, o afeto, os olhos, o medo e a menina, o que sobrou, foram incertezas, tristezas, dissabores. O inicio, o meio, e nenhum fim se deu.

domingo, 18 de novembro de 2012

"Tu vais ao samba"



Já percebi que as melhores atrocidades que se faz ao coração, são feitas e escritas numa droga de domingo, os melhores textos, as melhores músicas e até as melhores declarações de amor no pino do sol de um passeio pelo zoológico, olhando a ferocidade do leão dentro duma jaula, ou melhor, dentro dum quarto regido pelo vento quente de um ventilador. Hoje acordei tarde, e quase não levanto, pois hoje é domingo, e eu prefiro dormir o dia inteiro só pra não ver o dia chato de domingo passar. Não adiantou muito, ouvi um programa de rádio de um amigo que falava de Paulinho da Viola – Lindo -, mas a atrocidade maior e também a melhor que fiz, foi achar um documentário do meu bom e velho Cartola, gravado na Rádio Eldorado de São Paulo em 1979, onde o mesmo fala de alguma de suas principais músicas, de suas parcerias e um pouco de sua vida. Ai meu Deus, como é bom sofrer assim, sofrimento regido por um bom samba não tem preço, é como um soco no estomago “com efeito” contrário, é sinestésico, é como “caminhos tortuosos entre flores e espinhos” assim como o próprio diz. Isto é uma atrocidade a meu pobre e pequeno ser, é uma atrocidade aos meus sentimentos que são muitos e nada calados. Mas é um empurrão descarado ao que se passa lentamente, o diabo do Domingo, é uma enganação boa, a qual me esconde de toda a responsabilidade de ler textos que falam de sociedade, literaturas e paradigmas, tudo poderia ser simples assim como o Cartola descreveu, poderia ser apenas “Correr e olhar o céu” e esperar o “sol trazer o bom dia”,poderia ser o Samba no Coreto as 19h com o namorado e os amigos a dançar gafieira, mas não, hoje é o velho domingo, com samba de Angenor,ou Argenor, textos de Teoria Literária, sem cerveja na laje e sem o sabor de ser do morro, e assim, com todo meu “dissabor”, eu vou fingindo estar “num festival de alegria que me põe a imaginar”, Oh my god, “não sei se devo rir ou chorar”.
Bom dia a todos e vamos sambar!                

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Para quem tem alma pequena e a quem não remói nenhum problema...


Bom, novembro começou tudo de bom, nublado, um calorzinho abafado, tudo bem, né? Mas o que eu vim falar aqui hoje, é algo que creio, não acontece somente comigo. Eu tenho amigos de tudo que é jeito, de tudo que é religião e até aqueles que não tem religião alguma, tenho amigos com todas as opções de vida possíveis, sendo que a maioria desses são gays e lésbicas (creio que fui gay na minha outra vida), sou eternamente grata a amizade linda dessas pessoas, são pessoas trabalhadoras, e com muita boa vontade de ajudar a quem precisa, e que são de um respeito incrível com minha pessoa. E não, eu não sou gay, poderia ser, e daí? Eu deixaria de ser a Cacau? Eu perderia minha dignidade em ser assim? E esse Deus de todas as raças, e de todas as cores que dizem, deixaria de me amar? Como se contradizem, meus queridos e pobres mortais, sim, eu saio com essas pessoas maravilhosas, e creio que não precisaria de outras companhias, pois estas me bastam, me bastam tanto, que me sinto honrada por ser aceita do jeito que sou por eles e elas, e acho perfeito a cara e coragem que essas pessoas têm de enfrentar essa sociedade hipócrita e espremida num armário de medo e de falsos sorrisos. Pensei e repensei, e cheguei a um diagnóstico, esta é a última forma desta sociedade, de fugir do que elas morrem de vontade de fazer, é assim, negando sua própria doença e apontando o dedo para quem vive bem, para quem não deve nada a ninguém. Vivamos meu amores, o mundo é da cor que cada um quer colorir, se o seu é cinza, sinto muito, o meu é colorido!

domingo, 28 de outubro de 2012

Como ganhar uma discussão em 2 segundos!


Numa manhã chata de um domingo de eleições e que pra piorar não tem Água, minha irmã me encaminha duas encomendas da pesada, meus dois sobrinhos Yan de 4 anos e Kauan de 9, as recomendações foram as seguintes: Cacau, o Kauan tem que estudar, por favor, não deixe-o assistir TV enquanto ele não terminar, e quanto ao Yan, tire ele de perto do Kauan, se não ele não para de perturbar o irmão dele, visto assim que os dois brigam por demais, assim eu fiz, coloquei o Kauan pra estudar na sala e fiquei brincando com o Yan no meu quarto. No menor dos descuidos o Yan foi até a sala e ficou sentado em cima dos livros do irmão, conseguintemente o Kauan grita: Tiaaaaaaaaaaa, o Yan tá me atrapalhando...
O Yan que não perde uma diz logo: Eu não fiz nada...
E eu com cara de idiota, fico sem saber o que fazer, reclamo com os dois e o Yan disse que ficaria quieto, mas que queria ficar sentado la na sala e que não iria perturbar o Kauan, eu  pra me livrar da chatice, deixei-o ficar quietinho brincando com um carrinho. Passadas algumas horas, Kauan se levanta e dá um tapa na cabeça do irmão e o mesmo revida, e assim começam a se estapear, eu louca, grito e coloco um em cada canto da sala, e assim começam as provocações, um apelidando o outro, e eu só ouvindo, em um certo momento o Kauan por ser mais velho ganha a discussão do pequenino, este por sua vez, fica calado por alguns segundo, creio eu, pensando no que iria falar pra ganhar essa disputa, vendo que a coisa tava preta e que discutindo não iria dar, ele se levanta e encarando o irmão firmemente e com os olhos zombeteiros diz: Ah, Kauan, você não vai estudar não hein? A nossa mamãe não vai gostar nada de saber que você não está estudando pra prova, cale a boca e vá ler seus livros vá, seu feio!
Caímos na gargalhada e o Kauan foi estudar! Diante disto, alguém poderia falar mais alguma coisa?

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

O que acontece depois que a cortina se fecha...


Até meus nove anos de idade eu não conseguia chorar ao saber da morte de alguém, ou pelo menos sofrer ao ver alguém morrendo, eu até entendia, mas minha reação não era das mais dolorosas, pois bem, aos cinco anos vi minha avó morrendo bem na minha frente, consegui correr e até me agoniar, mas a vi morrendo e já sabia que não haveria o que fazer, não chorei, não esperneei; aos oito, vi meu irmão gêmeo ir no mesmo caminho, me doeu muito, mas ainda assim, meu esboço choroso foi pouco, muito pouco, para quem saiu do mesmo ventre daquele que morria, não era indiferença, mas talvez uma dureza infantil de não dar o braço a torcer para a morte- por incrível que pareça, eu pensava assim aos oito anos- e por mais incrível ainda que pareça, eu ainda faço a mesma coisa até hoje.
No ultimo domingo, fui fazer uma visita a alguém que eu evitara ver havia mais ou menos uns seis meses, eu até sabia das condições físicas dessa pessoa, e por talvez saber o quanto o mesmo já havia sido saudável eu quis preservar a mesma imagem em minha mente, uma imagem feliz de alguém que viveu muito bem, mas algo além de minha mãe, me dizia pra eu vê-lo, decidi ir, não hesitei em ir, quando cheguei desdobrei a ponto de não quere ir mesmo, e nunca me senti tão despreparada a visitar alguém. Quando entrei no quarto, o que vi foi algo extremamente doloroso, vi um homem pele e osso, respirando com dificuldades, pois acabara de ter um ataque e quase morre, o mesmo lutava para sentir o que lhe restava de ar, os olhos amarelados, as mão espalmadas e moles, eu via um homem quase sem vida, e que mesmo assim respondia a cada estimulo meu, o mesmo me reconheceu e escorria uma lágrima no canto do olho, não aguentei, chorei rios de lágrimas e, me doeu tanto, tanto, tanto... cheguei a não conseguir falar direito, na hora preferi mil vezes não vivenciar aquela situação, o médico acabara de sair de lá e assim deu as contas, disse que não havia mais jeito e que era melhor esperar lá mesmo, isto me levou a refletir muito, demorei por uns minutos no quarto de minha irmã, e decidi ir embora, antes de sair, voltei ao quarto do mesmo, chamei-o, ele virou os olhos sem mexer o corpo, me olhou numa tristeza só, não precisava de mais nenhuma palavra para esta pessoa que aqui escreve, chorei descontroladamente o caminho inteiro de volta, me perguntando mil vezes: O que se passa pela cabeça de alguém que tem plena certeza que nas próximas horas irá morrer? O fato é que passei a noite inteira pensando nisso, me perguntei também, o porquê de tanta dor; na manhã seguinte, fiz tudo normalmente, e a tarde a noticia, o mesmo homem acabara de morrer, as exatas 24 horas de minha visita, sem dores, sem agonias mais, sem som, sem nada... Ao saber do acontecido, me veio uma dor profunda e algumas lágrimas, poucas, mas com muita dor, encostei no namorado e lá fiquei protegida por mais ou menos trinta minutos, as lágrimas secaram e a dor diminuiu, me senti com 5 anos de idade de novo, endurecida e entregue a minha postura de antes, descobri que continuo a mesma, e que o cessar de lágrimas de antes e o de agora, se diferenciam apenas por questões de consciência, a mesma consciência que me destina a tudo que há de mais real em tudo que essa maldita da Morte propõe, e tenho que reconhecer que a mesma já me tirou e me deu muito, me tirou o doce de ser neutra quando criança e me deu o amargo de ser sensível e adulta o suficiente pra acreditar que nem tudo é e tem que ser como queremos, essa maldita existe sim, chega em qualquer vila, em qualquer momento, e se enfia direitinho aonde não deveria.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Para cada dor visivelmente inoportuna, um texto de Drummond...

CORAÇÃO SEGUNDO

De acrílico, de fórmica, de isopor, meticulosamente combinados, fiz meu segundo coração, para enfrentar situações a que o primeiro, o de nascença, não teria condições de resistir. Tornei-me, assim, homem de dois corações. A operação sigilosa foi ignorada pelos repórteres. Eu mesmo fabriquei meu coração novo, nos fundos da casa onde moro. Nenhum vizinho desconfiou, mesmo porque sabem que costumo fechar-me em casa, semanas inteiras, modelando bonecos de barro ou de massa, que depois ofereço às crianças. Oferecia. Meus bonecos não têm arte, representam o que eu quero. Fiz um Einstein que acharam parecido com Lampião. Para mim, era Einstein. Os garotos riam, tentando adivinhar que tipos eu interpretara. Carlito! Não era. Às vezes, não sei por quê, admitia fosse Carlito. Nunca dei importância a leis de semelhança e verossimilhança, que sufocam toda espécie de criação. Mas, como disse, fiz meu coração sem ninguém saber. E à noite, em perfeita lucidez, abrindo o peito mediante processo que não vou contar, pois minha descrição talvez horrorizasse o leitor, e eu não pretendo horrorizar ninguém — abrindo o peito, instalei lá dentro esse coração especial, regulado para não sofrer. Ao mesmo tempo, desliguei o outro. Como? Também prefiro não explicar. Possuo extrema habilidade manual, aguçada à noite, e sei o que geralmente se sabe dos órgãos do corpo e suas funções e reações, depois que ficou na moda tratar dessas coisas em jornais e revistas. Além disso, minha capacidade de resistir à dor física sempre foi praticamente ilimitada. Desde criança. Mas as dores morais, as dores alheias, as dores do mundo, acima de tudo, estas sempre me vulneraram. Recompus a incisão, senti que tudo estava perfeito, e fui dormir.
Na manhã seguinte, ao ler as notícias que falavam em fome no Paquistão, guerra civil na Irlanda, soldados que se drogam no Vietnã para esquecer o massacre, explosão experimental de bombas de hidrogênio, tensão permanente no Canal de Suez, golpes vitoriosos ou malogrados na América Latina, bem, não senti absolutamente nada. O coração funcionava a contento. Fui para o trabalho experimentando sensação inédita de leveza. No caminho, vi um corpo de homem e outro de mulher estraçalhados entre restos de um automóvel. Pela primeira vez pude contemplar um espetáculo desses sem me crispar e sem envenenar o meu dia. Fitei-o como a objetos de uma casa expostos na calçada, em hora de mudança. E passei um dia normal. Trabalho, refeições, sono, igualmente normais, coisa que não acontecia há anos.
Meu coração fora planejado para evitar padecimento moral, e desempenhava bem a função. Assisti impassível a cenas que antes me fariam explodir em lágrimas ou protestos. Felicitei-me pela excelência. Mas aí começou a ocorrer um fenômeno desconcertante. Eu, que não sofria com as doenças que me assaltavam, passei a sentir reflexos de moléstias inexistentes. Simples corte no dedo, sem inflamação, afligia-me como chaga aberta. Dor de cabeça que passa com um comprimido ficava durante semanas. Meu corpo tornou-se frágil, exposto ao sofrimento. E eu não tinha nada. Consultei especialistas. Fiz checkup, não se descobriu qualquer lesão ou distúrbio funcional. Eram apenas imotivadas, gratuitas. Meu coração nº2 passava pela radiografia sem ser percebido. Irredutível à dor moral, era invisível a aparelhos de precisão. Comecei a sofrer tanto com os meus males carnais que a vida se tornou insuportável. A dor aparecia especialmente em horas impróprias. Em reuniões sociais. Em concertos. No escritório, ao tratar de negócios.Então fazia caretas, emitia gemidos surdos, assumindo aspecto feroz. Assustavam-se, queriam chamar ambulância, eu recusava. Tinha medo de que descobrissem o coração fabricado.

Outra coisa: as crianças começaram a achar estranhos meus bonecos, não queriam aceitá-los. Sempre gostei de crianças. E elas me repeliam. Esmerei-me na feitura de peças que pudessem cativá-las, mas em vão.

Hoje vi um homem encostado a um oiti, diante do mar. Sua expressão de angústia dava ao rosto o aspecto de chão ressecado. Tive pena dele. Surpreso, ignorando tudo a seu respeito, mas participando de sua angústia e trazendo-a comigo para casa.

Agora à noite, decidi-me. Voltei a abrir o peito e examinei o coração segundo. Com pequena fissura no isopor, já não era perfeito. Ao tocá-lo, as partes se descolaram. Inútil restaurá-lo. Joguei fora os restos, liguei o antigo e fechei o cavername. Talvez pela falta de uso, sinto que o coração velho está rateando. Que fazer? E vale a pena fazer? 
A manhã tarda a chegar, e não encontro resposta em mim.
                                        
                                  Carlos Drummond de Andrade

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Para um "Gato de óculos"



Para tudo um começo...
Para todo João há de haver uma Maria, assim como para toda Clara nem sempre haverá um Assis, mas que para cada idiota uma donzela sempre disposta a falar bobagens na madrugada.
Há exatos três meses, resmungava eu pelos cantos da minha enorme casa, regida pelo silêncio da madrugada que tanto me cheira bem e que me faz tão mal – sim, eu gosto do gosto de me sentir a última “Cacau Cola” da madrugada- pois bem, resmungava eu, não porque eu ame resmungar, mas porque eu me dou este direito as vezes, por ‘Ns’ motivos, e nesta mesma noite, o primeiro- me doía na alma ter que me sentir daquele jeito, detesto me sentir pra baixo, o segundo- eu nunca havia precisado tanto conversar com alguém, o terceiro e o mais doloroso- não achava nenhuma bodega aberta em meu bairro pra eu comprar uma Coca-cola para que eu me afogasse em meios a seus ingredientes cancerígenos que eu tanto adoro, senti-me um tanto pessimista neste dia, mas como já disse “me dou este direito as vezes”. Liguei o computador e decidi abrir todas as abas e redes sociais de todas as espécies, nada de bom me acontecia, tentei escrever, creio eu que saiu o texto mais louco que já escrevi, este foi quentinho pra o jornal, e já sem mais nada pra fazer, decidi dar a última olhada em meu Chat, avistei um “Gato de óculos”-sim, um gato fofinho de óculos- cliquei no mesmo e disse: Ei, ei, ei, ei... O mesmo respondeu; com toda e qualquer alegria que se pode ter numa madrugada, e esta mesma pessoa era e é, a única que me fazia rir em qualquer hora que nos falássemos, era sempre um papo agradável e as vezes até um tanto inocente, algo que nenhum dos dois tem, inocência, foram horas de trocas de informações, até que alguém nem sei porquê decide fazer um convite, o “Gato de óculos” aceita, e mais uma vez o destino se fez mais esperto do que imaginamos. Desde então, nada foi mais tão agradável de ver e sentir, nenhum filme foi mais o mesmo, assim como nenhuma caminhada a sós, foi tão bem acompanhada; há exatos três meses, nenhuma decisão foi tão conjunta e nenhuma amizade foi tão verdadeira, assim como, nenhuma DR foi tão bem-vinda e tão constante – descobri que isso faz bem também- as coisas em comuns, nunca foram tão incomuns, pois não é fácil lidar com alguém tão parecido com você, assim como é lindo ver alguém com o oposto de tua personalidade, e assim descobri que equilíbrio existe, e que tu podes rir dos medos que tu insistias em ter, pois eles só existiam enquanto a segurança estava de fora pra dentro e enquanto as mãos não estavam entrelaçadas, e que não há nada mais companheiro do que rir junto, sim, falo de risos largos e sem falsa moral. Há exatos três meses, ninguém sabia nem metade do que se escondia por trás de um sorriso alegre e de uma saúde inabalável, assim como ninguém jamais saberia que Nerds também podem amar e viver loucamente distantes de tudo que é fones e teclados, ninguém saberia que sofrer de lonjuras seria o que há de mais doloroso em estar sozinho, e que as “godices” são o que há de mais feliz em estar perto. Há exatos três meses, há tudo que jamais se poderia viver, simples assim, de comum e feliz acordo, de bobagem em bobagem e de mão dadas e que assim seja, sempre que pudermos.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Aos 44 anos do Poeta

Para que sua alma seja a mais pura possível;
Para que seus desejos sejam os mais ardente possíveis;
Para que seus amores sejam eternos enquanto durem;
Para que os mesmos sejam doces enquanto você lembra-los;
Para que sua insanidade seja a mesma da qual eu me lembro, vazas, vazias de sentimento e doçura;
Para que suas asas sejam sempre abertas e livres para te levarem aonde tu quiseres ir;
Para que tuas dores sejam hoje as mais doloridas e que amanhã elas sejam esquecidas;
Para que o amor não te seja estranho, e se chegares a ser, que outros venham com fulgor;
Para que a Negra nunca seja a outra, e que a outra possa te abraçar na falta da Negra;
Para que nos teus 44 anos, o que vier seja luz, amor, paz e poesia
Para que tua felicidade seja plena, nem que tudo seja e esteja por um triz;
    Parabéns Poeta!



domingo, 26 de agosto de 2012

Não há má semente para a próxima plantação!


Houve um tempo em que tudo era tão quente, tão intenso e tão bonito, que o que sobrava eram duvidas, neste mesmo tempo o que se fazia era samba, o que se comia era amor e o que se bebia era nada mais, nada menos que vinho, o que se tocava era o bonde e o que se desejava era tudo relacionado ao caos. Hoje, em tempos tão maduros, o que se colhe é o que não se plantou, pois creio que nem tudo que se planta dá-se numa boa colheta, e nem tudo de ruim que se colhe é má semente pra próxima plantação, hoje o que se abraça são frutos doces e cheios de gordices, são essas mesmas que nos fazem satisfeitos em sermos o que somos, em abrir a boca cheia e proferir palavras de acalanto, ou até mesmo passar horas sem dizer uma palavra, ficar calado muitas vezes traduz-se em textos ao silêncio, e são textos enormes por sinal, com direito a notas de rodapés e tudo mais. Plantando e colhendo assim, nos faz querer plantar outro jardim, podar plantações passadas e trabalhar com flores, esquecer ervas daninhas e cultivar Orquídeas, sem venenos, s’il vous plaît e com amor, por gentileza!

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

O CÂNCER DE MAMA NÃO É UMA FITA ROSA- POR OSCAR PROJECT

Ultimamente o termo Câncer tem sido muito presente em minha vida, tenho feito trabalhos de acompanhamentos com mulheres, as quais este mal passou e levou muito do que as mesmas tinham de melhor que é a auto estima; já que não é fácil se olhar no espelho e não se ver por completo, onde antes era beleza hoje é vazio. Pensando nisso o fotográfo  David Jay desenvolveu um projeto o qual busca mostrar, que o "câncer de mama exige mais seriedade que uma fita rosa e que o encanto feminino é superior ao sofrimento".
Vejam o trabalho de David Jay por completo no link abaixo.

http://obviousmag.org/archives/2012/08/scar_project_-_o_cancer_de_mama_nao_e_uma_fita_rosa.html

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Quem está no comando do barco?



Assistindo a um programa na Tv aberta, me deparo com dois casos que aconteceram essa semana. O caso trata de dois meninos, um Brasileiro e um Boliviano, e ambos cheios de superação, a mesma que há mais ou menos 5 anos atrás me mostrou sua face, me mostrou a quê e para quê eu vim aqui para este mundo.  
Na ultima terça-feira 17, Gustavo de 10 anos, brincava com seus amigos em uma construção perto de casa, quando por um descuido caiu em um buraco de aproximadamente 5 metros de profundidade com 45 cm de largura, Gustavo ficou entalado com os braços pra cima, o trabalho dos bombeiros foi árduo, mas o garoto a todo o momento repetia que estava bem, como forma de acalmar a mãe que aos prantos pedia pra que tirassem seu filho logo daquele sufoco, após 5 horas de trabalho o garoto foi resgatado com algumas escoriações no braço, sereno e sem mais alterações, algo raro pra uma criança de 10 anos que passou muito tempo soterrado até o pescoço dentro de um buraco apertado e assustador. O outro caso foi em Barranquilla, ao norte da Colômbia, talvez o que mais me impressionou, Jeanpier de 3 anos que também brincava em uma obra, caiu em um bueiro da rede de esgoto do bairro que mora, foram 20 horas desaparecido, ele foi arrastado por 500 metros, engolindo água suja até ser encontrado por amigos se seus pais que ajudavam em sua busca, Jeanpier estava tão assustado, que agarrou firmemente na barra de concreto que dava pra ver em seus braços, o tamanho da força que fazia, assim vencia seus próprios limites, foi levado a um hospital com desidratação e intoxicação devido a água suja que engoliu, passa bem agora. A pergunta é a seguinte: O que faz o ser humano superar seus próprios limites? O que faz alguém encarar algo como se fosse a ultima chance? E quando isto vem de um ser tão pequeno, como uma criança? Coincidências? Não sei, mas me perguntei isto milhares de vezes. Os obstáculos enfrentados por muitos são o que há de mais intrigante para mim, logo eu que passei por provações de coragem e perseverança, lembrei imediatamente do momento em que me vi completamente sozinha comigo mesma, há muito mais que coragem para se enfrentar o medo, há de se ter força de vontade. Aos 17 anos me vi tendo que abandonar metade de minhas atividades por conta de um problema de saúde o qual tinha 97% de chances de cura, mas que dependia tanto de cuidados médicos como de um empurrãozinho do meu bom humor e força de vontade, em meio ao tratamento que fui submetida vi pessoas do meu lado esmorecendo e abandonando a luta em meio a guerra, vi altas e baixa estimas durante o percurso, aprendi a sorrir de verdade, pois ali em meio a todos que estão numa situação parecida com a tua, não dá pra haver fingimento, ou se estar bem ou não se estar; encontrei a mesma porcentagem que a minha, só que ao contrário, 97% de chances de cura eu tinha, o meu companheiro de quarto tinha 97% de chances de morrer em uma suposta operação, ambos tinham a mesma idade, ambos tinham o mesmo problema, ficamos amigos logo após a minha chegada, me internei um dia antes que ele, foram 8 meses de puro companheirismo, compartilhamos todas as peculiaridades de se estar vivo um dia após o outro, curtimos dos nossos penteados, rimos dos primeiros fios de cabelos crescendo, choramos horrores pós recaídas. O que se há em comum com alguém para alguns pode não ser quase nada, pode-se ser apenas um ponto de referencia para futuras aproximações, para mim é algo bem mais forte, ultrapassa qualquer entendimento, qualquer explicação, pessoas compatíveis com tua persona não podem ter vindo por acaso, enfim, a coincidência dos fatos, a compatibilidade dos problemas e das almas, tanto na minha história quanto na história dos dois meninos, se dá agora. Numa certa manhã, acordei com fortes dores no braço e abaixo do peito, tive uma recaída que quase me mata, duas horas depois, meu amigo teve uma parada cardio respiratória, e entrou em coma, fiquei 3 dias em profunda recuperação, e ele em constante crises, após o susto, voltei para o meu quarto e soube que o mesmo não havia voltado ainda e que seu estado não era dos melhores, sofri desesperadamente, no dia seguinte fui visita-lo na UTI, e vi que o que havia ali, era um ser com toda a vontade de viver, assim como muitas vezes o mesmo me relatou: “Eu não quero morrer”, este era o pedido de um menino, era a vontade de viver mesmo, vi da mesma maneira que Jeanpier se agarrava a barra de concreto enquanto ficou preso dentro daquele bueiro, a mesma vontade de viver de meu amigo, ele mantinha os pulso cerrados, as mãos fechadas como se tivesse fazendo toda uma força pra ficar ali, saí do quarto com uma angustia devastadora, pois pior do que não ter certeza sobre o fim ou o recomeço de sua vida ou da vida de alguém, é ter a certeza do fim da mesma. Diferente da História de Gustavo e Jeanpier, a minha não teve um final feliz, meu amigo morreu 20 dias depois, ele segurou-se numa barra de concreto por vinte dias, até não suportar mais a luta, até entregar os pontos, eu continuei lá, com uma cama vazia ao lado da minha, depois dele, se foram mais 4 pessoas, eu continuei lá, entre idas e vindas de humor, entre a alegria de progredir e a dor de perder pessoas queridas, foram mais 6 meses entre a casa e o hospital até eu sair de vez daquele ambiente, eu sai de la recuperada, novinha em folha, curada digo eu, fechei meus 97% de chances de cura, adicionei 3% de coragem a minha vida, meu amigo perdeu pra os 97% e fechou sua luta com 3% de força e alivio a seu sofrimento, se coincidências existem, eu não posso afirmar, mas se as mesmas não forem presentes, “quem comandará o barco dos acontecimentos?’’ O que dirá do tempo que é dado pra que cada pessoa possa encontrar o que se espera no tempo exato, ou até mesmo no tempo errado, já que tempo é tudo? 

quarta-feira, 4 de julho de 2012

"Tenho por princípios nunca fechar portas, mas como mantê-las abertas o tempo todo?
Se em certos dias  vento quer derrubar tudo..."

quinta-feira, 28 de junho de 2012

FAZENDO E DESFAZENDO MALAS


Eu me despedi, sem lágrimas, sem falsa moral, sem esboçar nenhuma rigidez nas palavras, senti-me como se estivesse chegando de uma viagem longa, sim, despedir-se de um amor e seguir, é como a chegada de uma viagem longa, daquelas que se viveu tanto o lugar explorado, que se deixou tanta pegada no local, que se viveu o máximo que se poderia viver e assim como todas as viagens, um pouquinho de imprevistos. A cada palavra lançada, com consolos e pequenas alterações de vozes, lembrava-se uma peça de roupa retirada da grande mala, pois arrumar e desfazer as malas para esta criatura aqui, é a parte mais chata e trabalhosa de uma chegada ou de uma partida, sempre esquecemos algo, e sempre carregamos bagagem demais... Desfazer as malas é como arrancar cada caminho percorrido por nós, assim nos desfazemos e fazemos com os amores, dizer “Até Logo”, é como desfazer malas e arruma-las de novo, é trabalhoso, é árduo, e não menos corajoso. O meu desfazer de malas, foi tranquilo, um pouco doloroso e um tanto corajoso, é como se minha viagem tivesse sido tão gratificante que não houvesse do que se lamentar e nem do que se glorificar, apenas rir, lembrar e seguir, e pensar que outras viagens virão, umas mais rápidas do que as outras, outras bem mais cheias de imprevistos e não menos interessantes. O segredo de tais desapegos é não olhar pra trás, não calcular o prejuízo e nem a desesperar-se com a bagunça que ficou na casa. Chegue, feche a porta, desfaça suas malas e planeje outra viagem, de preferência sozinha.


terça-feira, 19 de junho de 2012

Aos cantores desconhecidos


Indagações de todos os amantes, saudações a todos aqueles que também não sabem a quê e para quê vieram... Hoje não há nenhuma venda em meus olhos, ou pelo menos, nenhuma que eu queira vestir. Explicita e louca como sempre, bebi todos os licores que se pode beber, amarguei bocas incansáveis de esperar, abracei quem eu odiei, fui hipócrita por instantes, lembrei-me de quem não deveria lembrar, fui inconsequente o quanto pude, dancei, cantei e esmurrei paredes. Agi de acordo com minha imoral idade, sofri por pouca merda, cantei músicas de cantores desconhecidos, cantei suas infelizes músicas... Liguei quando não tive vontade, senti sua falta mesmo você não merecendo, abracei corpos quentes e confortáveis, enchi linguiça em um depoimento, fui falsa comigo mesma, eu li Lorca, bati no oco, sambei no molhado, me vesti de vermelho, perdi dentes ao sentir saudades, ganhei três dentes ao matá-las, lembrei-me do namorado, esqueci-o no mesmo instante, e um beijo a você que pensa que isto define tudo.

sábado, 9 de junho de 2012

"Passa nuvem negra larga o dia e vê se leva o mal que me arrasou"


“Tá difícil ser eu, sem reclamar de tudo”, esta é a frase do dia, dia este que por mais dolorido que seja, é o que me faz bem melhor por hoje, chega a ser gostoso pensar e sentir tudo isso. Acordei ouvindo esta maravilha que é “Nuvem Negra”. Lembro-me da primeira vez que ouvi esta música, e lembrar-me disto é o que alivia a minha tensão em sentir saudade. Não é o melhor dos sentimentos, mas tem lá suas qualidades, mas voltando ao fiel motivo deste texto... Eis aqui eu, sentindo saudades do que não me cabe mais, do que me foge ao controle. O doce em sentir esta maldita e linda saudade está em uma das belas tardes que passava, ouvindo o belíssimo som de um violão velho, talvez o melhor dos sons, lembro-me que este era um daqueles dias em que se acorda com a cara amarrada, dia cansativo e estressante, e nestas tardes quentes desta minha terrinha, o que se melhor poderia fazer, era sentar ao redor da mesinha do lado da janela do apartamento, sentindo o vento quente que passava pela mesma, comendo um prato de macarronada feito com muito amor e carinho, lembro-me também que sempre depois do almoço, me deitava numa rede e com o pé empurrava a parede para a rede ganhar impulso e balançar, e que havia sempre alguém a velar meus vinte minutinhos de sono, era sempre um assobio, e muitas vezes o computador a rolar um jazz, um blues, ou um instrumental, acordava-se sempre com um sussurro ao pé do ouvido ou com beijos estalantes na nuca, em fim, neste dia não foi diferente, fiz tudo isto, mas reclamei do dia cansativo e estressante o tempo todo, terminei meu ritual e adormeci lentamente no embalo da rede, assim mesmo, que nem criança, no finalzinho da tarde, despertei com um sussurro e uma mordidinha na nuca, ao abrir os olhos fiquei cinco minutinhos criando coragem para levantar, ouvi uma melodia triste e bonita ao fundo, vinha do som da sala, levantei-me e saí do quarto meio que cambaleando e com um mau humor de dar nos nervos, encostei-me na parede da sala e o que vi e ouvi foi muito bonito, ouvi esta musica e vi um homem encostado na parece com um violão, assobiando a música toda, talvez uma das cenas mais interessantes que já presenciei, simples e bonito, analisei toda a letra da música e senti uma pontadinha em meu peito como se fosse um alivio e uma dor ao mesmo tempo. A música era para mim, tinha tudo a ver com meu mau humor, com meu cansaço e com meu pessimismo, mas havia muito mais coisas embutidas na mesma musica, era com uma previsão para todo o abandono que estava por vir. Quando a música acabou eu ri e disse:
- Que música linda, com se chama?
-Se chama Nuvem Negra!
Ouvi a música umas dez vezes no mesmo dia, meu cansaço e mau humor foram pra o beleleu, sentei-me no chão na porta da cozinha enquanto alguém cozinhava, bati um papo legal e depois fui dormir, mas até hoje, para cada dia ruim e estressante, eu ouço essa música e sinto lá no fundo um tiquinho de dor, misturada com alivio, sensação esta que me remete ao que é bom e ruim, música esta que para cada incerteza de dias assim, será a alegria e a tristeza de se sentir saudade.  

domingo, 27 de maio de 2012

A quem quiser ler



 
Hoje tudo me sufoca, o medo manda recado, tenho pesadelos que agoniam a minha alma, onde estão os abraços de bom dia? Aonde encontrarei a doçura que arranca a pele em noites sufocantes? O que seria preferível em dias assim, ouvir Morrissey até doer os ossos ou o Milton até sangrar os sentidos? O que seria a derrota diante do império de todos os sonhos reinados, se não a loucura de uma fêmea latejando de dor? O que seria dos amores insanos do homem antenado se não fosse a vontade que ele tem da mulher a qual ele odeia? Meu querido homem antenado, se você ainda ler meus textos, saiba que aqui há uma mulher que não dorme e não sonha direito, mas que acima de tudo escuta o samba que você me fez e ri de toda aquela letra feia de escárnio e amor que tu me dedicastes... Meu querido homem antenado, se tu escutas a minha voz em tons de mel, melíflua e zombeteira, saiba que esta é minha essência, e que se fui embora, é porque não te farias o menor dos bens, o qual tu mereces, o meu peito chora e a minha dor ainda não consigo compreender, mas o meu sentido inundado de amor e dor, é como a tarde quente que passávamos olhando pela janela, o meu relógio gira em sentindo anti-horário a cada vez que lembro-me de nossas despedidas, teus livros querido, estão aqui, e saiba que os mesmo me fizeram bem mais sábia. Não sei como são teus dias, nem ao menos imagino se algo te dói, mas deve doer, já que tu, não es um bom exemplo em matéria de ser forte, não sei se sou a menor das tuas lembranças, mas devo ser, já que tu, guardas o menor dos rancores na alma. Meu querido, aqui as coisas andam daquele jeito, felizes, mas cheias de rachaduras, cheias de buracos, as saudades são as mesmas, da infância, dos amigos, de você; não quero desistir de nada, mas ando cometendo os velhos e deliciosos erros, amando demais, me entregando demais, vivendo demais... E você, o que andas a fazer?a

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Em fim a Prática I



Em fim começo a me achar em meio ao que estudo a 3 longos anos naquela universidade, em fim, estarei concluindo tudo que é mais esperado por mim mesma, não tem nada a ver com a conclusão do curso, mas algo tão importante quanto saber o seu próprio nome, é saber a que você veio neste mundo.
Alguns ainda insistem na nobre decisão do velho passeio turístico, eu não to aqui a passeio, mas de vez em quando me proponho a ir na “bubuia” como alguns chegados dizem, é, deixo, redeixo, me lanço em tudo que é mais barulhento e fiel ao que penso mesmo. Só que a partir de hoje, eu dedico-me a descobrir minha vocação, ser ou não ser um professor? Doar ou não o que se aprendeu, ou que se adquiriu ainda dentro de um nobre ventre? Pergunta mais do que difícil. O fato é que, ao observar uma das professoras de português em uma escola a qual escolhi para elaborar meu plano de observação da prática I, (disciplina mais do que chata), percebi que mais do que vocação, você tem que gostar mesmo do que faz, pois saibam, o ambiente de sala de aula chega a ser assustador em alguns casos. Ao ser acompanhada pela coordenadora pedagógica da escola até a sala da tal professora, senti um friozinho na barriga ao andar por corredores, sensação essa, engolida pela curiosidade. No meio do caminho encontro a ministrante, ela nos saúda com um largo sorriso, e logo percebo que não era a mesma professora que haviam me indicado para tal estágio, olhei a amiga que me acompanhava e ri, mas pensei: Se houve uma confusão, que assim seja... Acertei na mosca, nada é somente por acaso, e para tudo há uma explicação, nem que seja tarde, mas sempre há.  Ao entrarmos na sala, fomos fuziladas com um quê de curiosidade pelos pequenos, “mas quem serão essas duas que chegaram, meu deus?”, era exatamente o olhar dos alunos do 6º ano A. Juro que fiquei sem jeito, mas ri amarelo, dei bom dia, e sentei-me ao fundo da sala de aula, logo depois aparece a professora, que de primeira me pareceu muito legal, o barulho que ensurdece até o mais surdo dos homens, me deixava numa mistura de agonia e cansaço, detalhe: “adolescentes não falam, eles gritam”, minha vontade na hora, era de sair correndo e me trancar em meu quarto e ouvir minha companheira Nina Simone no seu maior volume de “Feeling good”, confesso que aquilo “é coisa de louco”, pensei. Mas como num passe de mágica, a professora dá um misero grito, e sutilmente pede silencio uma, duas, três vezes, eles relutam em meio ao pedido, mas logo, logo se acalmam, e dá-se inicio a aula de português e produção de textos. Em meio a explicação de um tal “Canteiro de Poesia”, no qual os mesmo iriam aprender a produzir uma poesia, a professora dava um pulo aqui e outro acolá, ria alto, dava gargalhadas, uma piadinha aqui e outra ali, o interessante é que assim, é que a mesma conseguia o domínio da turma, prático e engraçado. Parei para observar a expressão desta mesma professora, e percebi uma mulher extremamente responsável, e a mesma por mais que estivesse ali pra exercer sua função de cidadã, professora, estava ali também, por gosto ao que faz, pensei: Como ela consegue? É um papel mais que trabalhoso e por muitas vezes injusto, é uma escola com poucos recursos e com o mínimo de valorização ao profissional que ali se expõe, como é que alguém consegue se sobressair de forma tão sutil? Sentei-me ao lado de uma menininha meiga e estudiosa, talvez a mais interessada e inteligente da sala, e numa distração da professora, perguntei: O que você acha desta professora? Ela riu tímida e disse: É a professora que eu mais gosto, ela é divertida, alegre, e sabe dar aulas. Isso foi lindo! Será que um dia serei assim, admirada? E o mais interessante, ao vir falar e saber mais sobre a gente, ela nos relatou que era a pessoa mais tímidas que havia em seu tempos de estudante, não abria a boca nem para bocejar, e lá se vai a pergunta que nunca cala: Como assim, professora, como você conseguiu esse domínio? Ela riu docemente e disse: Prática, minha cara, Prática e muito amor ao Freinet.
Não sei, mas que coisas simples e autenticas como estas, deve-se estar atento,  exemplos assim me deixam em estado de euforia, mas com ou sem Freinet, eu ainda tenho duas semanas pra descobri e responder as perguntas que me fiz no começo deste texto.

domingo, 13 de maio de 2012

Pra Tu que Me faz mais Eu


Hoje, os cotovelos se toparam, os sorrisos que sempre foram quase os mesmos se encontraram a risada forte e o pulso de quem só viveu para aquilo, para cuidar. Hoje a noite em meio aos preparativos para o dia seguinte, algo que sempre aconteceu não me fugiu aos olhos, a gargalhada alta e gostosa que somente você tem, o dengo mais cheio de frescura que já vi, o qual me deixa estupidamente envergonhada, de bochechas rosadas e sem jeito, como sempre fiquei quando você fazia isto na frente de todos, mas tudo bem. Isto tudo me veio num átimo, muito rápido mesmo, me arrancou até uma risada serena e bonita, pois a cena toda se passava na cozinha, em meio ao blá, blá, blá dos irmãos que emporcalham tudo, fazendo mesmo com toda a bagunça, uma festa sem igual tamanho, ela ri, ri de tudo, porque afinal, são todos seus, e ela mesma é o motivo pelo qual todos estão ali reunidos. Enquanto eu, a mais criança de todos estou emburrada e cheia de angustia, o que não é natural da minha idade preparo algo para comer, pois já passa das 22 horas, ela que já alimentou a 7, ainda grita pela noite meu nome: “Caroline, vá comer, você não se alimenta direito, você vai ficar doente...” E isso sempre me acontece todas as noites, é involuntário esse mesmo grito, o que não acontece somente comigo. A mesma de quem falo agora, é muito parecida com a de alguns que irão ler este texto, “todo dia ela faz tudo sempre igual, me sacode as 6 horas da manhã”, como já dizia o Chico, mas ela me sacode mesmo, mesmo que eu não pegue o beco pra o trabalho e nem mesmo porque eu  vá pra escola, mas as vezes só pra me dar aquele beijo antes de ir pra o trabalho em meio ao meu mau humor e a preguiça matinal que tenho, como rala minha pobre e doce heroína, mas essa meus queridos, é parecida com muitas e muito diferente de algumas, o nome dela é Maria assim como a sua, talvez não, mas a minha é. A minha Maria, é uma criaturinha doce e braba, me carregou muito em suas costas e me ensinou muito do que eu sei hoje, mas lembra-me todos os dias, que grande parte do que sou, eu aprendi a ser sabe-se lá com quem....É, essa parte eu pulo e deixo subtendido, afinal, essa criaturinha é mãe e mães não precisam necessariamente saber tuuudo, mas sempre nos sacam por dentro e por fora, você que é filho sabe bem do que estou falando. O fato é, que enquanto parada ali olhando minha madre eu estava, me vi num retrospecto assustador, lembrei-me de quando todos moravam ali, sob o mesmo teto, a agonia na hora do jantar, onde todos inventavam a mesma frescura, “comida do prato da mamãe é sempre a melhor”, já dizia meu irmão mais velho, talvez o mais mimado e amado, ou será a minha irmã mais velha? Não sei, nem sei se isso existe mesmo, não com a minha Maria, que nasceu pra ser o que é hoje, mãe, mulher guerreira... Clichê? É talvez por ser dia das mães, talvez por eu ser igual a todo mundo HOJE, ou talvez porque eu só queira mesmo dizer o que você não pode dizer pra sua Maria, Joana, Raimunda, Antonia ou seja lá qual for o nome da mesma. É, só sei que os cotovelos se toparam hoje, e ela sabedora de tudo, riu e disse: Olha só gente, se quiserem fazer silencio já pode, a cozinha é minha e meu bebê tá incomodado por demais, é melhor não acorda-lo, pois a dose de mau humor vem dobrada.... todos riram...
Conclusão: É mãezinha, tu sabe mesmo de tudo, até do que eu não to pensando, que bruxaria é essa? kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

terça-feira, 17 de abril de 2012

De vez em quando...

De vez em quando é bom voltar às origens, resgatar sua essência, o amor ao PRÓXIMO, sem pensar no outro e aderir ao que se tem a disposição. Excluir a moralidade, perseguir a indecência, poluir o amor, se perder no egoísmo e colocar a culpa em alguém; não se jogar ao abismo, mas empurrar tudo e a todos que estão a te sufocar. De vez em quando é bom chutar o pau da barraca, ser descarado ao extremo, zombar do amor e enfiar o dedo na cara da dor, mandar a mesma se meter com alguém do tamanho dela. Minta de vez em quando, guarde um segredo e só conte a alguém que você saiba que irá morrer amanhã, seja a velha e boa de sempre, e a velha e má de amanhã, beije um desconhecido e aponte o dedo pra alguém, culpe alguém, cuspa alguém, não mate ninguém, fale palavrões em alto e bom som, ria de algo e de preferência de alguém que você não goste, seja sarcástico a ponto de ser insuportável; toque seus tambores, faça o mal também, afinal, foi você quem o inventou, não foi? Apronte o que tiver de aprontar, principalmente aquilo que irá te beneficiar o bastante, seja sincero, afinal isto também se tornou um mal a aqueles que não sabem ouvir a verdade, contrarie alguém, e nunca seja contrariado, mostre a alguém do que você é capaz, e ria dos defeitos alheios, você não tem defeitos não é mesmo?

Depois disso tudo, se nada funcionar, respire fundo, e volte a dormir, de vez em quando é melhor não se mover.

                              

domingo, 15 de abril de 2012

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Para tudo que me faz bem!

Chorar?  Rum, chorar é para os fracos, quero ver é sustentar a cara amarrada e cheia de caretas, com algumas das melhores companhias que se pode ter, quero ver é você não rir com a gargalhada mais gostosa e extravagante de uma “Panda, com a careta de idiota de uma Magrela sem noção, com gritos ensurdecedores de uma louca e da risadinha de soinho medroso de uma nota musical, tente e serás premiado com uma oportunidade perdida de ser feliz por segundos, resista pra você ver! Creio agora, que os melhores frutos a colher, estão nas oportunidades acolhidas, creio eu que o pulo do gato para se ter felicidade, estar bem mais desalinhado e próximo do que imaginamos, está bem mais longe de todas as mandingas adotadas por muitos, e bem mais simples que o choro piedoso de menina mimada; a dor vai existir queiramos ou não, a solução dos problemas estará dentro de cada um, a pobreza dos atos em cada estupidez lançada, mas o abraço apertado e as mãos espalmadas sobre a cabeça, e o grito de C-O-R-A-G-E-M, aaaaahhhhh....esses são essenciais num dia angustiante! A questão é não procurar, mas estar atento a tudo que boas e más pessoas estão a te proporcionar.
Sabe de uma coisa?
Quem diabos precisa de olheiras, se eu posso ter a alegria permitida, o riso rasgado, a piada mal contada, mas ainda assim engraçada, o conselho de uma amiga e seus olhos rasos d’água para com o teu soluçar, e seu abraço estalante, a doçura de uma quarta nota musical, e as cotoveladas de um ser que eu nem sei se é mulher ou é só um personagem de desenho animado, só sei que são pessoas assim, que mudam em segundos o que só poderia piorar, são pessoas assim, que se precisa a todo e qualquer instante, são pessoas assim, que nos fazem enxergar que entre “copos descartáveis” e o “ser reciclável”, a segunda opção é sempre a mais útil (risos, né Pâmela?), são pessoas assim que nos fazem ver, que a atitude de recomeçar seja todo dia.
Obrigada a todas!

segunda-feira, 19 de março de 2012

Para tudo que esperei!

E o que dizer do amor? Sim, aquele que ficou guardado por tantos anos, se reciclando com todas as dificuldades que se possa encontrar pelo caminho, com todas as possibilidades de desistências, e com todos os vacilos de alguém que vendou os olhos por tantas e tantas injustiças de quem achava que o outro não passava de mais um na pista. Engano meu, são por momentos vividos e por chances que não se dar aos outros a não ser a você mesma que batemos de frente com toda a tolice dos maus entendidos, quanta bobagem, quanto ressentimento sem nexo, para quê? Esta foi a pergunta exercitada nas últimas semanas, descasquei todas as dúvidas, embrulhei e desembrulhei todos os medos, para quê? O fato é que tudo tem sua hora, e o seu tempo, a responsabilidade que cada um tem em administrar seus atos na devida hora, no devido tempo é enorme, a probabilidade de tudo dar errado é a maior de todas possíveis e as vezes a sorte de dar certo é mínima, e quando você ganha de presente a sorte de encontrar e viver o que foi guardado por tanto tempo, é que sabemos o quão importante é ser paciente, e mais importante ainda é ser suficientemente disponível  ao que há de vir, e esperar que o mesmo venha, mas venha com gosto, que venha com força e que ao recebê-lo, você seja devidamente grande para cuidar dessa preciosidade, sim, eu falo do amor, do amor paciente que ficou tanto tempo a esperar, tanto tempo a observar e persistentemente não desistiu de você. Este a que me refiro, só mostrou mais uma vez que existe, e que anda por aí, trabalhando delicadamente como um ourives a difícil tarefa de desarmar cabeças e corpos resistentes a ele. É, ele é paciente mesmo assim, e de vez em quando me surpreende, mostrando também, que não me basta ser apenas essa pessoa com a visão em linha reta, mas que desviar caminhos nem sempre é burrice, mas sim a atitude mais correta, louca, mas ainda assim, correta.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Era Carnaval minha gente!


O carnaval acabou, as mascaras caíram, os abraços diminuíram, o coitado do Pierrot, parou de chorar pela Colombina, mas ainda assim, nasceram outros Pierrot e cresceram outras Colombinas nesta comédia erudita que é a vida, fato? Não sei! O que sei é que tudo se renova, o ano realmente começa, assim como os novos amores que surgem em meio a folia, as amizades que parecem nem serem concretas construídas em quatro dias, mas que duram, duram até o próximo carnaval, duram para sempre, as fotos que marcam momentos incríveis, o friozinho da cidade quente, pois pra quem mora aqui em “Terezona” e não viajou, curtiu o clima abafado e aconchegante do dia nublado, e da costela enroscada em dias confusos. É, quem ficou aqui, assim como eu, soube realmente o que se faz, quando não há nada pra fazer, ler livros, assistir filmes, correr atrás do bloco que nem é seu robe, abraçar amigos que tu ver todos os dias, se resolver com um amor que já estava passando do ponto de tão complicado que é, mas tão doce que dá agonia, em fim, sempre há algo a fazer quando não se tem nada para fazer. E foram dias assim, que passei encostada na cabeceira da cama, na mesinha da sala, lendo os melhores contos de Machado de Assis, olhando nos olhos de quem se gosta de verdade, falando besteira e esquentando meus pés magros entres os lençóis e as coxas de uma outra pessoa, tendo câimbras horríveis e dores de cabeça sem explicações ao chegar ao céu. É assim que se vive um carnaval, sentindo saudades, matando as mesmas, pensando em como não amar tanto alguém, e em como depois que tudo acabar, começar realmente o ano, e viver o que tem que ser vivido, comemorar mais uma primavera, rememorar a primavera de um amor, se desfazer até do que te fez feliz, eliminando também, todas as mentes desconfiadas, e aproveitar o que te faz viver de verdade, quanta coisa hein?
É carnaval, é o ano que começa de verdade, é a vida que te dar chances, é o que te faz suspirar, é o amor, é a dor, é tudo que há. São as Cinzas da Quarta-feira de Cinzas, é o resquício da morgação, o amor que nem é próprio, o amor que é doado, o outro que é esquecido, o beijo quente e saboroso do homem bom, o corpo quente da febre que não passa, o bolso vazio e a alma cheia, é carnaval minha gente! É a festa das sombras sob o maravilhoso sol e o contagiante frevo dos sonhos. É carnaval minha gente! É o que vai ser esquecido e revivido no próximo bonde, sem ser aquele “Bonde 56” do Wilson Batista, pois esse nunca chegou e nem descarrilhou.  É carnaval minha gente, é samba, batucada, é bossa é jazz, é blues, é o Arnaldo Batista enfadando minha vida e a de quem mais estiver deprimido, mas eu amo assim mesmo, é carnaval minha gente, sou eu, você no “Bloco do eu sozinho, de toda e qualquer maneira, na bateria calada, nas cinzas de quarta-feira”.
É carnaval minha gente!

domingo, 29 de janeiro de 2012

Goodbye, AMOR!

O que te faz abrir a porta e deixar um amor pra traz?
O que te faz trancar os portões e jogar as chaves fora?
As diferenças? Medo? Impaciência? Insatisfação? C-O-R-A-G-E-M?
Tudo isso, as diferenças poderiam até não ser uma peça chave no adeus a um amor, mas são. Os gênios não precisam ser iguais, mas precisam sim ser respeitados, principalmente quando se trata do sexo oposto, afinal, você é homem e eu sou mulher, caramba! O medo é acolhedor, trata logo de encaixar as situações de dúvidas e as velhas inconstâncias no diálogo, o que poderia ser bem simples, mas não foi. Medo de ser você mesmo, medo do amanhã, medo até de ser feliz, medo, medo, medo..... A impaciência que transparece, é a mesma que te cansa, e te deixa num mato sem cachorro, sem eira e nem beira, sem lenço e sem documentos, sim, a impaciência por ouvir dramas e reclames da vida do outro, quando há muito mais que uma simples mulher ao teu lado, quando há alguém disposto a te ouvir, e a te ajudar sempre que “puder”, mas há além de tudo, alguém que está ali pra ser ouvido, e a ser consolado sempre que a dor apertar , e que pode sim, estar precisando também, de uma mão amiga naquele momento em que você sabe apenas resmungar sobre o que comer, sobre porque se precisa tanto de algo, porque as coisas não são mais fáceis, ou porque você não é a pessoa perfeita com quem ele tanto sonhou? Porquê? É em meio a tantos “porquês” que o amor que te satisfaz, passa a ser o amor que te enche, assim como o arroz afermentado do “RU”(risos), isso mesmo, enche de dúvidas, enche de dor, enche o sacoooo! Porque se você que é homem sabe bem o que é ter o saco cheio por que além de tudo você tem dois (risos), uma mulher pode até saber menos, mas sabe direitinho quando seu sapato aperta e o que é estar de saco cheio e insatisfeita, sim, insatisfeita com seu amor, que pode até não ser pouco, mas é indiferente, insatisfeita com tuas palavras, que podem até ser doces em certos momentos de carícias, de conversação sobre o que é “isto” ou “aquilo”, mas que também são usadas horrendamente para deturpar teu ego, e te deixar parecida com nem sei o quê, insatisfeita com tudo que a deixa feliz, pois é assim que se mata um amor todos os dias. Não é fácil estar insatisfeita, assim como não é fácil amar alguém e ignorar a existência de seu mundo, o que é impossível, aceitar o outro é algo tão simples quanto ser você mesmo, basta ser você mesmo e deixar que o outro seja ele também, afinal, ninguém é de ninguém e isto é fato. Entre tanto vai e vem, o que se põe aqui, é que, sempre há de haver uma dor ao se dizer “adeus” a um amor, mesmo que este tenha sido em curto prazo, mesmo que este tenha sido mais atrito que delicadeza, mas que não deixou de ser amor, porque é entre as várias e chatas diferenças que se encontra o ponto em comum. Ao sair por uma porta e deixar um amor dormindo há de se ter    C-O-R-A-G-E-M, coragem de dizer “NÃO”, coragem de renunciar ao que é doce, mas que pode ser amargo daqui a um tempo, coragem de ser você, mesmo correndo riscos os quais os resultados poderiam ser bem mais que negativos, coragem, tudo que falta, e quase tudo que resolve. Coragem de seguir em frente, mesmo que sozinha, mesmo que comigo mesma, mesmo que recheada de tudo que me faz feliz, mesmo sem esse amor que mais parecia o muro das lamentações, mas que era assim que tinha que ser vivido, breve e intenso, pouco, mas cheio de sonhos que foram somente idealizados, feliz e duvidoso, amor de corpos, e corpos quentes, e mãos abusadas e gênios insolentes, assim como o Leão e o Touro, um rugia e o outro bufava, mas ainda assim, amor, pois quem disse que amor tem que ser aquela bobagem de filme?
Goodbye, AMOR!

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

NÃO TE AFLIJAS, NÃO TE AFLIJAS SUA TÔÔLAÂA!

“Não te aflijas com a pétala que voa, também é ser deixar de ser assim”
Sim, também é ser deixar de ser, mesmo tudo caindo, mesmo tudo indo, deixar de ser o que já nem se é mais a algum tempo, é tão difícil quanto ser o que não se quer, é tão difícil, quanto tomar uma decisão vazia de razão, é tão difícil quanto não satisfazer a quem se ama, quando a mesma, está cheia de todas as boas intenções possíveis. E quando o amor é possível, é que tudo parece complicar-se de tal maneira, que chega a cegar o que escorre no peito, chega a ferir o que se guarda na alma, chega a azedar o que é doce. É quando se resiste ao que é inevitável, é quando nos dispomos a amar alguém pela milésima vez, e quando nos encontramos encostados na parede por não saber o que fazer pra sorrir francamente sem ser interrogado, sem ser cobrado, é quando se está de graça num momento em que dois são apenas um, e que os corpos ofegantes gritam por mais nada, além por mais e mais, é quando tudo isso se torna possível, que tudo parece complicar-se, e que tudo se aflige e deixa de seguir. Quantas perguntas, quantas respostas rasgadas de sensatez, quantas incertezas vindas de um só ser, por estar ao lado de um serzinho tão pequeno e frágil! Será preciso tantas incertezas assim, mesmo quando se ama? Será preciso ser tão inseguro quando alguém fecha os olhos só pra você?
Alguém por favor, me responda, porque mais uma vez, eu me sinto apagando as luzes sozinha!

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Quem sair por último apaga a luz!

E o ano começa com “As Luzes da Ribalta”, do querido Charles Chaplin, creio que não poderia ser melhor ver este filme logo no primeiro dia do ano. Será um sinal? Não sei, mas se meu ano for tão doce como este filme, eu já estarei bastante feliz! A história se passa na belíssima Londres, em 1914 em meio a I Guerra Mundial, e conta a história de uma bailarina insatisfeita com sua vida e pronta para cometer um suicídio, e sendo salva assim por um  palhaço em decadência, Calvero, que é interpretado por Charles Chaplin, e no decorrer da história, o Palhaço, ensina a Bailarina a ver a vida com outros olhos, e assim a crescer dentro do que ela mais sabia fazer, que era Dançar! Nos dias difíceis do entre guerra, o Palhaço Calvero abria espaço para o público adoçar suas vidas com um pouco de gargalhadas, e a bailarina aprendendo a viver, embelezava os grandes palcos do mundo com sua doce dança, ela muito apaixonada pelo velho palhaço, e o velho palhaço decaindo em meio a crise de sua meia idade, o que naquele tempo era quase nada, uma moça apaixonar-se e casar-se com um homem mais velho, assim, ao perceber que devolvera toda uma vida de glórias para a pequena bailarina, o palhaço some de sua vida, a deixando brilhar nos grandes palcos do mundo! Ela como toda mulher apaixonada e abandonada chora à ausência do Velho Palhaço. Os dois se encontram tempos depois, ela doce e com uma gloriosa carreira, e apaixonada ainda, e ele como o velho palhaço de rua, achando ainda que a idade fosse sim, o grande empecilho do amor entre os dois. O velho palhaço retoma sua carreira de glorias no palco, com o apoio mais que importante de sua bailarina, e logo depois de seu triunfo, o mesmo se vai olhando dançar a maravilhosa bailarina que ele tanto quis e que tanto ajudou a viver, tornando o velho e puro amor, impossível.
Por que a historinha? Por que esta mesma acontece todos os dias, acontece com você, com o fulano, com o cicrano e comigo, as velhas diferenças, os velhos obstáculos enfrentados todos os dias por um grande amor, o medo, a vontade de desistir. O espaço que se abre em nossas vidas para se receber alguém, é tão importante, que nem percebemos que nesse mesmo momento, abrimos espaços para os vários fatores estabelecidos por tudo que há de vir. O medo de arriscar, a vontade que se tem que dê certo, as diferenças que assombram, a correspondência dos olhares, e não correspondências do tempo que corre e que deixa o rastro seja doce ou amargo, mas deixa, e quem quiser que o acompanhe, se não, fique você para trás, fique você no escuro, porque quem fica por último apaga sempre a luz sozinho. Quantos amores não ficaram para trás por não saber enfrentar e acompanhar as diferenças que o tempo estabelece? Quem nunca apagou a luz sozinho?
A luz que se apaga no palco do amor, é muito parecida com a que se apaga no palco da vida, elas uma vez apagadas, não voltam mais. E as dores deixadas por um amor que se vai, e por um amor mal resolvido são tão intensas quanto como se ele tivesse sido podado com todo o rancor e ódio do mundo, dói por não se concretizar, dói por não acontecer, dói porque dói, e ponto. E assim como no filme, quantos amores ainda ficarão nos bastidores? Quantos esperarão atrás das coxias com medo de entrar no palco? E quantos estacionarão e apenas apreciarão o trinfo do seu par dançando a dança da vida sozinhos? Quantos?