quarta-feira, 5 de junho de 2013

PROFESSEUR

Eu não sei para vocês, mas ser professor é uma profissão perigosa, pelo menos pra mim, pois os riscos de se apegar a criaturas nunca vistas antes é enorme, e sentir falta das mesmas é algo perigosamente chateador. O meu primeiro contato em sala de aula foi muito cedo, não sabia mesmo se ser professora era o que queria (ainda nem sei), mas o que me deu uma segurança danada pra o que sou agora, Professora.
Hoje com minha pouca idade, dou aulas pra uma galerinha que por pouco não acompanha minha ‘Vibe”, algo que tento incluí-los aos poucos, ensinar, ensinar e ensinar, adolescentes não são fáceis, eu sempre soube, são enjoados, falam pelos cotovelos, te desafiam, duvidam de sua capacidade e principalmente pela tua pouca idade, passo por isso a cada sala de aula que entro, quase todos os dias, mas o que fica por muito é a amizade e o conforto que essas criaturas me mostram fora desta mesma sala de aula, um grito do outro lado da rua “Professora, tudo bem?”, “Olha, pai, minha professora”; o pedido de ajuda a cada dúvida que se tem e o grito de alerta quando ninguém alem do teu professor pode sacar, é gratificante? É! Digo isto a cada reunião de pais e mestres, digo isto a cada amigo meu, digo isto a mim todos os dias, pois não é o que mais amo na vida, mas é o que faço no momento.
Há 1 ano e meio, dou aulas pra o ensino infantil, e creio que foi o que deu carga pra entender o que é realmente uma sala de aula, pois decifrar o que crianças querem, precisam e principalmente entendem, é algo tão supremo que ultrapassa qualquer entendimento adulto, o trabalho mais bonito que já fiz, mais gratificante e o que retirei mais do que poderia retirar, foram abraços apertados, pedidos sinceros de desculpas e surpresa por cada palavrinha escutada, aprendi ali, e trouxe dali a carga pra tudo que faço hoje. Metade de meus alunos se foram, alguns pra outras escolas, alguns pra outros estados, alguns nem sei para onde, o professor por mais que pareça impossível, ele sempre lembra um pouco ou muito do rosto de seus alunos, e um ou outro fica contigo, e foi pensando nisto que comecei a escrever este texto.

Durante a semana percebi que nestes anos todos em sala de aula, ficou para mim, muito mais do que regras básicas sobre o que é ser professor ou o que se precisa para ser um, essa semana a única coisa que me sobrou foi saudade, e uma dor compartilhada, perdi dois alunos, o que de inicio parece pouco, pois nenhum é de tua família, nenhum dos dois tem teu sangue, mas o que fica da sala de aula é apenas uma lembrança, a de uma turma alegre, cheia de bagunça, atenciosa, e cheia de molecagens adolescente e infantis, o que me maltratou essa semana, foi saber que adolescentes e crianças como estas, não estão imunes a maldade do mundo, as “malades” da vida e nós professores não estamos longe de toda a carga dura de ser professores somente porque estamos fora de sala de aula, basta ter um pouquinho de atenção e respeito pelo o que tu faz, noticias como a de ontem e hoje, são um soco no estomago de um pobre ser humano como eu.