domingo, 18 de novembro de 2012

"Tu vais ao samba"



Já percebi que as melhores atrocidades que se faz ao coração, são feitas e escritas numa droga de domingo, os melhores textos, as melhores músicas e até as melhores declarações de amor no pino do sol de um passeio pelo zoológico, olhando a ferocidade do leão dentro duma jaula, ou melhor, dentro dum quarto regido pelo vento quente de um ventilador. Hoje acordei tarde, e quase não levanto, pois hoje é domingo, e eu prefiro dormir o dia inteiro só pra não ver o dia chato de domingo passar. Não adiantou muito, ouvi um programa de rádio de um amigo que falava de Paulinho da Viola – Lindo -, mas a atrocidade maior e também a melhor que fiz, foi achar um documentário do meu bom e velho Cartola, gravado na Rádio Eldorado de São Paulo em 1979, onde o mesmo fala de alguma de suas principais músicas, de suas parcerias e um pouco de sua vida. Ai meu Deus, como é bom sofrer assim, sofrimento regido por um bom samba não tem preço, é como um soco no estomago “com efeito” contrário, é sinestésico, é como “caminhos tortuosos entre flores e espinhos” assim como o próprio diz. Isto é uma atrocidade a meu pobre e pequeno ser, é uma atrocidade aos meus sentimentos que são muitos e nada calados. Mas é um empurrão descarado ao que se passa lentamente, o diabo do Domingo, é uma enganação boa, a qual me esconde de toda a responsabilidade de ler textos que falam de sociedade, literaturas e paradigmas, tudo poderia ser simples assim como o Cartola descreveu, poderia ser apenas “Correr e olhar o céu” e esperar o “sol trazer o bom dia”,poderia ser o Samba no Coreto as 19h com o namorado e os amigos a dançar gafieira, mas não, hoje é o velho domingo, com samba de Angenor,ou Argenor, textos de Teoria Literária, sem cerveja na laje e sem o sabor de ser do morro, e assim, com todo meu “dissabor”, eu vou fingindo estar “num festival de alegria que me põe a imaginar”, Oh my god, “não sei se devo rir ou chorar”.
Bom dia a todos e vamos sambar!                

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Para quem tem alma pequena e a quem não remói nenhum problema...


Bom, novembro começou tudo de bom, nublado, um calorzinho abafado, tudo bem, né? Mas o que eu vim falar aqui hoje, é algo que creio, não acontece somente comigo. Eu tenho amigos de tudo que é jeito, de tudo que é religião e até aqueles que não tem religião alguma, tenho amigos com todas as opções de vida possíveis, sendo que a maioria desses são gays e lésbicas (creio que fui gay na minha outra vida), sou eternamente grata a amizade linda dessas pessoas, são pessoas trabalhadoras, e com muita boa vontade de ajudar a quem precisa, e que são de um respeito incrível com minha pessoa. E não, eu não sou gay, poderia ser, e daí? Eu deixaria de ser a Cacau? Eu perderia minha dignidade em ser assim? E esse Deus de todas as raças, e de todas as cores que dizem, deixaria de me amar? Como se contradizem, meus queridos e pobres mortais, sim, eu saio com essas pessoas maravilhosas, e creio que não precisaria de outras companhias, pois estas me bastam, me bastam tanto, que me sinto honrada por ser aceita do jeito que sou por eles e elas, e acho perfeito a cara e coragem que essas pessoas têm de enfrentar essa sociedade hipócrita e espremida num armário de medo e de falsos sorrisos. Pensei e repensei, e cheguei a um diagnóstico, esta é a última forma desta sociedade, de fugir do que elas morrem de vontade de fazer, é assim, negando sua própria doença e apontando o dedo para quem vive bem, para quem não deve nada a ninguém. Vivamos meu amores, o mundo é da cor que cada um quer colorir, se o seu é cinza, sinto muito, o meu é colorido!