Hoje tudo me sufoca, o medo manda recado, tenho pesadelos que agoniam a minha alma, onde estão os abraços de bom dia? Aonde encontrarei a doçura que arranca a pele em noites sufocantes? O que seria preferível em dias assim, ouvir Morrissey até doer os ossos ou o Milton até sangrar os sentidos? O que seria a derrota diante do império de todos os sonhos reinados, se não a loucura de uma fêmea latejando de dor? O que seria dos amores insanos do homem antenado se não fosse a vontade que ele tem da mulher a qual ele odeia? Meu querido homem antenado, se você ainda ler meus textos, saiba que aqui há uma mulher que não dorme e não sonha direito, mas que acima de tudo escuta o samba que você me fez e ri de toda aquela letra feia de escárnio e amor que tu me dedicastes... Meu querido homem antenado, se tu escutas a minha voz em tons de mel, melíflua e zombeteira, saiba que esta é minha essência, e que se fui embora, é porque não te farias o menor dos bens, o qual tu mereces, o meu peito chora e a minha dor ainda não consigo compreender, mas o meu sentido inundado de amor e dor, é como a tarde quente que passávamos olhando pela janela, o meu relógio gira em sentindo anti-horário a cada vez que lembro-me de nossas despedidas, teus livros querido, estão aqui, e saiba que os mesmo me fizeram bem mais sábia. Não sei como são teus dias, nem ao menos imagino se algo te dói, mas deve doer, já que tu, não es um bom exemplo em matéria de ser forte, não sei se sou a menor das tuas lembranças, mas devo ser, já que tu, guardas o menor dos rancores na alma. Meu querido, aqui as coisas andam daquele jeito, felizes, mas cheias de rachaduras, cheias de buracos, as saudades são as mesmas, da infância, dos amigos, de você; não quero desistir de nada, mas ando cometendo os velhos e deliciosos erros, amando demais, me entregando demais, vivendo demais... E você, o que andas a fazer?a
domingo, 27 de maio de 2012
quarta-feira, 16 de maio de 2012
Em fim a Prática I
Em fim começo a me achar em meio ao que estudo a 3
longos anos naquela universidade, em fim, estarei concluindo tudo que é mais
esperado por mim mesma, não tem nada a ver com a conclusão do curso, mas algo
tão importante quanto saber o seu próprio nome, é saber a que você veio neste
mundo.
Alguns ainda insistem na nobre decisão do velho
passeio turístico, eu não to aqui a passeio, mas de vez em quando me proponho a
ir na “bubuia” como alguns chegados dizem, é, deixo, redeixo, me lanço em tudo
que é mais barulhento e fiel ao que penso mesmo. Só que a partir de hoje, eu
dedico-me a descobrir minha vocação, ser ou não ser um professor? Doar ou não o
que se aprendeu, ou que se adquiriu ainda dentro de um nobre ventre? Pergunta
mais do que difícil. O fato é que, ao observar uma das professoras de português
em uma escola a qual escolhi para elaborar meu plano de observação da prática
I, (disciplina mais do que chata), percebi que mais do que vocação, você tem
que gostar mesmo do que faz, pois saibam, o ambiente de sala de aula chega a
ser assustador em alguns casos. Ao ser acompanhada pela coordenadora pedagógica
da escola até a sala da tal professora, senti um friozinho na barriga ao andar
por corredores, sensação essa, engolida pela curiosidade. No meio do caminho
encontro a ministrante, ela nos saúda com um largo sorriso, e logo percebo que
não era a mesma professora que haviam me indicado para tal estágio, olhei a
amiga que me acompanhava e ri, mas pensei: Se houve uma confusão, que assim
seja... Acertei na mosca, nada é somente por acaso, e para tudo há uma
explicação, nem que seja tarde, mas sempre há. Ao entrarmos na sala, fomos fuziladas com um
quê de curiosidade pelos pequenos, “mas quem serão essas duas que chegaram, meu
deus?”, era exatamente o olhar dos alunos do 6º ano A. Juro que fiquei sem
jeito, mas ri amarelo, dei bom dia, e sentei-me ao fundo da sala de aula, logo
depois aparece a professora, que de primeira me pareceu muito legal, o barulho
que ensurdece até o mais surdo dos homens, me deixava numa mistura de agonia e
cansaço, detalhe: “adolescentes não falam, eles gritam”, minha vontade na hora,
era de sair correndo e me trancar em meu quarto e ouvir minha companheira Nina
Simone no seu maior volume de “Feeling good”, confesso que aquilo “é coisa de
louco”, pensei. Mas como num passe de mágica, a professora dá um misero grito,
e sutilmente pede silencio uma, duas, três vezes, eles relutam em meio ao
pedido, mas logo, logo se acalmam, e dá-se inicio a aula de português e
produção de textos. Em meio a explicação de um tal “Canteiro de Poesia”, no
qual os mesmo iriam aprender a produzir uma poesia, a professora dava um pulo
aqui e outro acolá, ria alto, dava gargalhadas, uma piadinha aqui e outra ali,
o interessante é que assim, é que a mesma conseguia o domínio da turma, prático
e engraçado. Parei para observar a expressão desta mesma professora, e percebi
uma mulher extremamente responsável, e a mesma por mais que estivesse ali pra
exercer sua função de cidadã, professora, estava ali também, por gosto ao que
faz, pensei: Como ela consegue? É um papel mais que trabalhoso e por muitas
vezes injusto, é uma escola com poucos recursos e com o mínimo de valorização
ao profissional que ali se expõe, como é que alguém consegue se sobressair de
forma tão sutil? Sentei-me ao lado de uma menininha meiga e estudiosa, talvez a
mais interessada e inteligente da sala, e numa distração da professora,
perguntei: O que você acha desta professora? Ela riu tímida e disse: É a
professora que eu mais gosto, ela é divertida, alegre, e sabe dar aulas. Isso
foi lindo! Será que um dia serei assim, admirada? E o mais interessante, ao vir
falar e saber mais sobre a gente, ela nos relatou que era a pessoa mais tímidas
que havia em seu tempos de estudante, não abria a boca nem para bocejar, e lá se
vai a pergunta que nunca cala: Como assim, professora, como você conseguiu esse
domínio? Ela riu docemente e disse: Prática, minha cara, Prática e muito amor
ao Freinet.
Não sei, mas que coisas simples e autenticas como
estas, deve-se estar atento, exemplos
assim me deixam em estado de euforia, mas com ou sem Freinet, eu ainda tenho
duas semanas pra descobri e responder as perguntas que me fiz no começo deste
texto.
domingo, 13 de maio de 2012
Pra Tu que Me faz mais Eu
Hoje, os cotovelos se toparam, os sorrisos que sempre
foram quase os mesmos se encontraram a risada forte e o pulso de quem só viveu
para aquilo, para cuidar. Hoje a noite em meio aos preparativos para o dia
seguinte, algo que sempre aconteceu não me fugiu aos olhos, a gargalhada alta e
gostosa que somente você tem, o dengo mais cheio de frescura que já vi, o qual
me deixa estupidamente envergonhada, de bochechas rosadas e sem jeito, como
sempre fiquei quando você fazia isto na frente de todos, mas tudo bem. Isto
tudo me veio num átimo, muito rápido mesmo, me arrancou até uma risada serena e
bonita, pois a cena toda se passava na cozinha, em meio ao blá, blá, blá dos
irmãos que emporcalham tudo, fazendo mesmo com toda a bagunça, uma festa sem
igual tamanho, ela ri, ri de tudo, porque afinal, são todos seus, e ela mesma é
o motivo pelo qual todos estão ali reunidos. Enquanto eu, a mais criança de
todos estou emburrada e cheia de angustia, o que não é natural da minha idade preparo
algo para comer, pois já passa das 22 horas, ela que já alimentou a 7, ainda
grita pela noite meu nome: “Caroline, vá comer, você não se alimenta direito,
você vai ficar doente...” E isso sempre me acontece todas as noites, é
involuntário esse mesmo grito, o que não acontece somente comigo. A mesma de
quem falo agora, é muito parecida com a de alguns que irão ler este texto, “todo
dia ela faz tudo sempre igual, me sacode as 6 horas da manhã”, como já dizia o
Chico, mas ela me sacode mesmo, mesmo que eu não pegue o beco pra o trabalho e
nem mesmo porque eu vá pra escola, mas
as vezes só pra me dar aquele beijo antes de ir pra o trabalho em meio ao meu
mau humor e a preguiça matinal que tenho, como rala minha pobre e doce heroína,
mas essa meus queridos, é parecida com muitas e muito diferente de algumas, o
nome dela é Maria assim como a sua, talvez não, mas a minha é. A minha Maria, é
uma criaturinha doce e braba, me carregou muito em suas costas e me ensinou
muito do que eu sei hoje, mas lembra-me todos os dias, que grande parte do que
sou, eu aprendi a ser sabe-se lá com quem....É, essa parte eu pulo e deixo
subtendido, afinal, essa criaturinha é mãe e mães não precisam necessariamente
saber tuuudo, mas sempre nos sacam por dentro e por fora, você que é filho sabe
bem do que estou falando. O fato é, que enquanto parada ali olhando minha madre
eu estava, me vi num retrospecto assustador, lembrei-me de quando todos moravam
ali, sob o mesmo teto, a agonia na hora do jantar, onde todos inventavam a
mesma frescura, “comida do prato da mamãe é sempre a melhor”, já dizia meu
irmão mais velho, talvez o mais mimado e amado, ou será a minha irmã mais
velha? Não sei, nem sei se isso existe mesmo, não com a minha Maria, que nasceu
pra ser o que é hoje, mãe, mulher guerreira... Clichê? É talvez por ser dia das
mães, talvez por eu ser igual a todo mundo HOJE, ou talvez porque eu só queira
mesmo dizer o que você não pode dizer pra sua Maria, Joana, Raimunda, Antonia
ou seja lá qual for o nome da mesma. É, só sei que os cotovelos se toparam
hoje, e ela sabedora de tudo, riu e disse: Olha só gente, se quiserem fazer
silencio já pode, a cozinha é minha e meu bebê tá incomodado por demais, é
melhor não acorda-lo, pois a dose de mau humor vem dobrada.... todos riram...
Conclusão: É mãezinha, tu sabe mesmo de tudo, até do
que eu não to pensando, que bruxaria é essa? kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
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