quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Eu faço 'Samba e Amor' a TARDE inteira!

Ouvindo ‘A Bossa de Caetano, que é um dos discos desse ‘Malandro Sentimental’, sim, ‘Malandro Sentimental’, que mais gosto, me veio um emaranhar de lembranças ao ouvir ‘Samba e Amor’, essa música me diz tanto, e lembrei-me de uma história, a qual existia sempre uma moça, um homem e um violão. Os três quase que inseparáveis, pois se havia um encontro em meio às tardes quentes de Teresina, lá estavam os três, e mesmo quando as circunstâncias insistiam em colocar um em cada lado do país, sempre havia um som de violão de um Homem e sempre uma vozinha de menina embutida em meio às lembranças dele, e havia sempre um cheiro ‘fuzi’ em um canto frio do país a sacudir os pensamentos do homem. E quando se retornavam um para o outro, retornava-se sempre a Moça, o Homem e o Violão, como sempre, e assim em meio aos acordes embriagavam-se de prazer, ele com a voz doce dela e ela com a malícia de homem grande dele, que a deixava ainda mais pequena do que já era, era como na música ‘Mimar Você’, tudo era eterno ali naquele momento, e as vozes sempre se encaixaram. A Moça, sempre que encontrava o Homem com o Violão, lembrava-se de como tudo começou, e assim era em todos os encontros, era só ele pegar o violão, e ela se derretia, e até o violão embriagava-se, e o mesmo compreendia tudo, mesmo quando faltavam uma ou duas cordas, o som era perfeito. E era Samba e amor a tarde inteira, porque a Moça não madrugava e a noite no caso, era dia, e sempre depois do amor, havia o Samba, o qual um dia quando a Moça nua, deitada no chão do quarto a olhar fixamente para o homem, pediu: ‘Toca pra mim?’, ele com um sorriso de menino que somente ele tem, pegou o violão e mandou-lhe o ‘Samba e Amor’ e mais uma vez a moça ao fechar os olhos e ouvindo a voz rasgada do homem, DERRETEU-SE, e ao terminar, ela com os olhos de Tigresa, olhou pra o homem e disse: ‘Lindo! Você sempre toca essa para todas? E ele rindo a olhando com todo amor falou “Não! Eu só toco pra você, porque eu detesto tocar para os outros”. Ela fechou os olhos novamente, e feliz com o que ouviu, jamais esqueceu o que o homem disse. E assim continuaram a tarde toda até escurecer, até o relógio decidir que a moça se fosse, como era de costume.
Foi aí que nessa madrugada, ouvindo a ‘Bossa de Caetano’ e todo o movimento da rua, com os bêbados a rosnar como cães, e os namorados se beijando ao vento quente da madrugada, que lembrei-me da história desses três enamorados, e eu assim digo: Que tudo está associado e ligado por algo bem mais forte que as coincidências da vida, as lembranças os pedidos misturados com a fé, tudo é muito poderoso quando é com vontade, quando é com amor. E eu continuo aqui, com o Samba e sem nada de Amor (risos), sem pedir nada, a não ser que o sono venha e me faça parar de escrever besteira rsrsrsrsrs....

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Nem o violão compreendeu!!!!!!!


Peguei o violão e tentei ensaiar alguns acordes, haaa se eu conseguisse! Tudo ficaria mais fácil, tentei o velho Cartola, mas me embrulhou as lágrimas, desisti, pois a dor é grande e hoje nem o querido violão compreendeu, hoje foi tudo silêncio, hoje nada de rock in roll, apelei para a Bethânia e ela como sempre arrasou, hoje os versos foram baratos, nenhuma delicadeza com meus sentimentos, apesar de eles estarem em pedaços, nada foi compreensível, nada, hoje a “emoção dói meu coração”, e queria mesmo estar fazer manha, mas hoje tudo é sério, é real. Nada mudou, eu posso escrever rios de textos sinceros, que na verdade só servem pra mim mesmo, e que não irão atingir a compreensão daquele que os lê. Mas quer saber?
Foda-seeeeee!!!!!!!!


terça-feira, 27 de setembro de 2011

TÁ TUDO PRONTO? POIS LEIA!

Já fez as malas senhor Azeviche?
Pois Vaze!
Já se decidiu senhor Azeviche?
Pois nem pense em olhar pra trás, porque por aqui só se olha pra frente, o que foi embora e o que se perdeu está perdido e acabado.
Já sabe o que vai ser quando chegar meu querido?
Pois só viva o que tiver por lá, aqui tudo está morto e meio enterrado;
Já previu meu enforcamento com a corda da liberdade senhor sabe tudo?
 Pois saiba que ela enfoca também aqueles que já se consideram livres e desimpedidos, e acocham até sufocar, até pedir pra parar.
Você chora senhor?
Eu choro também, mas eu tenho pra quem chorar, e jamais me arrependo disso.
Você julga as pessoas monsieur?
Pois eu não, eu vivo cada pedacinho delas, e isso não me dói nada.
Lembra daquele jardim que tu me ensinou a cuidar?
Ele vive, ele está florindo todos os dias, claro que com algumas ervas daninhas, típico de todo jardim da vida, mas minhas violetas, rosas, jasmins e as maravilhosas Orquídeas, mostram todos os dias a quê e para quê vieram, pra limpar a sujeira que fica quando a gente insiste em se machucar, e é isso. Espero Senhor, que leia, e lendo entenda que eu também sei até onde posso ir.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Que se danem as circunstância

Que se danem as circunstâncias, a vida já é dura o suficiente, para quê mais complicá-la? As dores do mundo eu já senti esses dias, mas não confundam, isto não é exagero, são as minhas dores do mundo.
Tudo está quase pronto, amores eu já perdi por medo de encarar a parada que mais parecia um bicho papão e também por má-criação de menina, despedidas eu já enfrentei, disse adeus e quase morro de dor, mas sobrevivendo estou, assisto a dor daquele homem como a um reality show que não é nada divertido, mas e daí?
O que se ganha com isso? O que se perde nessa droga toda?
O que se ganha é fácil, mas o que adiantaria agora? Se toda a boa vontade já passou e quase todos os sonhos já fracassaram, foi aí que eu disse “vai meu coração, ouve a razão, usa só sinceridade”, e é isso que está valendo. Danem-se as circunstâncias e os ossos que chacoalham, a fé é boa o suficiente e um dia tudo se resolve, um dia os olhos irão se cruzar e assim nem que saia um “fora da minha vida” as coisas deixarão de fluir, tudo flui, tudo irá se resolver. Assim como os amores que se foram, há os que ficaram, com toda a loucura, com toda a calmaria que tanto me irrita, mas é o que permanece, é o que ainda me dá aquela palavra de apoio, e que me abraça mesmo quando não está frio, mas me abraça e diz “Calma, não precisa a pressa”. E que danem-se as circunstâncias, essas só fazem a diferença quando queremos mesmo, porque lutar tanto? A dor, a solidão, o medo, a saudade que inflama os nervos, estes já fazem parte de nossa árvore da vida, porque dor eu já senti, solidão quem nunca, o medo é um dos mais acesos e a saudade é a freqüentadora assídua dos meus dias infernais, e quem não se sujeita a isso de vez em quando é um covarde, estando aqui ou em qualquer outra parte do mundo, c’est la même histoire. E parafraseando Oswald de Andrade “A alegria é a verdadeira prova dos nove”, e que hoje ou amanhã eu prove a prova dos nove, e que tudo seja daqui pra frente, e que se danem as circunstâncias.


sábado, 24 de setembro de 2011

Hoje tudo me diz NÃO!

Hoje tudo me diz NÃO! Hoje psicanalistas, psicologos e conselhos de mãe são bem vindos, só não adiantam muito, “Nâo beba”, “Não fume”, “Não vá dormir tarde”, Não, Não e Não, acho que já está bom né? Tudo culpa de um maldito TDA/H que não diminui por mais esforços que eu faça, pra quem não sabe o que é TDA/H, aí vai a tradução dessa droga que atinge milhares de brasileirinhos na fase escolar e geralmente a partir dos 7 anos – ‘ Transtorno do Deficit de Atenção e Hiperatividade’, isso mesmo, eu tenho isso aí, que em alguns casos diminue e vivi-se na fase adulta uma vida normal, mas como tudo comigo é mais complicado, isso continua até hoje, e descobri que o mesmo aumentou de uns dias pra cá. O fato mais engraçado, é que para que isso diminua o meu querido médico me disse que deve-se levar uma vida tranquila, e não ter fortes emoções, meu Deus! Como eu ri nesta hora, e pedi que o mesmo repetisse umas 3 a 4 vezes o que havia me dito, “uma vida tranquila e sem fortes emoções”? Como assim doutor? Eu não sou nada tranquila, sou estupidamente elétrica e tenho a cara mais exposta que a bandeira do arco-íris em dia de parada gay, faça-me o favor, peça-me o que quiser, me dê dois vidros de tranquilizantes, mas não me peça isso, este é meu combustivel, e sem isso eu morro, e assim disparei umas cem palavras por segundos, e as mãos descontroladas começaram a balançar, tipico de quem tem TDA/H, ele riu e disse: Queridinha, Relaxe! A minha vontade nessa hora foi de mandá-lo pra PQP! Sei não, mas acho que as vezes psicanalistas, psicologos e sei lá mais o quê, são mais doidos que a maioria de seus pacientes, sim, eles tem o dom de acalmar e perturbar, sem querer ofender, pois conheço várias pessoas maravilhosas que atuam e pretendem atuar nesta área freudiana, o que quero dizer com todo este blá, blá, blá, é que nem daqui a cem anos conseguiremos ter uma vida tranquila e sem fortes emoções, pelo menos eu, são tantos os arroubos desta vida, são tantos os contribuintes pra essa nossa loucura, e minha vida de tranquila não tem nada, não que eu queira, pois o que seria de mim com a mesmice? E se for pra viver com ela, eu vou ter TDA/H pelo resto da vida, pois sorrisos e movimentos contínuos me interessam mais, abraços e gritos de alegria me deixam confortável. Amores em excesso, beijos quentes com frequencia, brigas pra acalmar depois, milhares de PQPs pra expulsar o tédio das palavras doces, é disso que gosto, é isso que quero e ponto. E o TDA/H? Que vá para as cucuias, pra PQP, pra o inferno!!!!!!!!!!


O Que Fica Pelo Caminho!

Um show, uma feira, uma bailarina.
Uma música, um olhar, uma história;
Um encontro, uma bolinha de papel, um abraço;
Um aperto de mão, um convite,um NÃO, 
Uma aula, um dever cumprido, um telefonema;
Um medo, uma expectativa, uma resposta;
Um SIM, um encontro, uma bebida;
Uma conversa, a vida dele, o teu sorriso;
Uma sinceridade, um namorado, um vazo;
Um desejo, um sorriso como resposta, o vento,o rio;
Um convite, vinte passos, um carro;
Um silêncio, os olhos, UM BEIJO;
Uma pergunta, uma resposta, um aniversário;
Uma aula, o frio na barriga, uma surpresa;
Um abraço, um vinho, uma festa;
Um toque, uma boa conversa, a casa dele;
Um quarto, uma varanda, um colchão velho cheio de ácaros;
Um toque, a saia dela, as mãos pequenas dele;
Um corpo quente e um rosto feliz, um olhar atencioso;
Uma sombra, o vento que sopra da janela do quarto, um violão;
Uma música dele, a voz dela, a surpresa dele;
A voz dele, a felicidade dela, um par de vazos;
Um amor, uma loucura, a lucidez;
As noites, a cozinha, os beijos;
As juras de amor eterno, as brigas e o ódio eterno;
Uma despedida, um aviso, a intolerância;
A ausência, a saudade, a insegurança;
Um novo amor, uma nova dor, um novo olhar;
Um reencontro, uma nova história, um novo ódio;
Um novo projeto, novos amigos, uma nova vida;
Um outro beijo, um outro abraço, aquele abraço;
Um adeus dele, o desejo dela, um.............
Um dia eu termino esse texto...

sábado, 17 de setembro de 2011

Talvez eu seja...

É talvez eu seja sim aquela pequena malvada e gulosa por viver, viver do que me faz bem, do que me faz sorrir e que jamais se apega ao que me faz mal, mas que não ver nada de mal em experimentar. Sou sim essa menina mimada que vive debaixo da eterna e confortável saia da mamãe, mas que ao mais louco impulso exponho o monstro que todos deveriam ter muito, mais muito medo, mas que mesmo assim é uma flor de menina.
É talvez eu seja sim, aquela menina má que dizem por aí, que maltrata poetas, que nem são tão bonzinhos assim, e que adora um quarentão a solta, sim, o nenen aqui adora ser bem tradada pelos tiozinhos, algum problema nisso? Rsrsrs... Ou aquela que é inspiração de sambas que só me esculaxam e estímulos de pobres esportistas. Ai, ai, tudo bem! Eu sou sim essa menina que adora dançar e que vive como se tudo fosse acabar hoje mesmo. É talvez eu seja mesmo essa criaturinha estupidamente elétrica e que adora mentiras bem contadas, sim, eu adoro pessoas que mentem bem, adoro ser enganada às vezes e me surpreender com isso, por quê? Você não gosta?
Sim eu sei, talvez eu seja essa coisa cheia de sinceridade e que incomoda até a quem não me conhece, afinal, nasci pra incomodar E enfadar, como diz um certo VAZIM, mas eu sou assim, tenho a cara exposta e o riso imprevisível, pois a risada que há em mim eu só ofereço ao acaso, odeio tudo que é choro piedoso e me divirto com a burrice alheia, me divirto até com a minha as vezes, e olha que eu faço cada cagada! Portanto, meus caros amigos fico eu aqui, com a loucura que me é permitida e espero viver longe da normalidade que me é oferecida, pois para mim, a normalidade é ainda sim uma ilusão imbecil e estéril.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Mais uma vez...



Eis aqui a infelicidade mais uma vez!
O que se precisa para saber o que o outro precisa?
Sinais de fogo? Gritar, chorar, pedir ajuda?
O que se ganha em se perder o que já morreu e nem percebeu?
O que se ganha em se perder algo que nunca foi seu?
Eis as perguntas! Malditas são as respostas.

E essa música explica 70% do que tá acontecendo, Santo Caetano, sempre me ajudando a explicar o que fica engasgado as vezes!

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

"Acabou chorare, ficou tudo Lindo, de manhã cedinho"

Caminhando por aí, e colocando os meus desregulados botões pra funcionar, quase enlouquecendo e remoendo as dores do mundo que carrego,pensei em escrever mais e mais, “soltar essa louca” como o meu nêgo preferido já dizia, decidi criar um blog, o nome foi o mais difícil, perguntei a todos aqueles que estavam online no famoso Facebook, algo que me viciei, mas tudo bem, então como uma mulher sem criatividade, perguntei a todos aqueles que ali estavam:
 - Ei fulano! Estou criando um blog, e preciso de um nome, o que você sugere?
Meu Deus! Pra quê eu fui fazer isso? Os nomes vieram como uma chuva desgraçada de criatividade sem noção, ou sei lá o que, arrependi-me amargamente, olhem o que me veio:
“Cabeça de Nêgo” = Acho que por causa de minha cor né? E esta mesma pessoa não contente, me sugeriu um tal de “ Bailalíngua” hóooo God! Será uma mistura daquilo que eu faço?   Bailar+Fofocar? Acho que sim, o interessante é que soube escapar direitinho dessa roubada, a pessoinha me deu “Boa Noite” e graças a Deus foi dormir, graças a Deus mesmo! Minutos depois, eu selecionei uma pasta de músicas dos Novos Baianos, que eu particularmente adoro, e ao ouvir uma música que é uma das que mais gosto, decidi, “ É essa aqui!”  E criei o “Achorare”.
E mais uma vez,caminhando por aí sem destino, ao lado de um amigo, ele perguntou: Nêga, porque o endereço do blog é “achorare? Parece com “Acabou Chorare” dos Novos Baianos, tem alguma relação? Eu ri, e disse: Claro que sim! E contei a história.
E eis aqui “Acabou Chorare”, essa música além de me tranqüilizar muito, faz parte de um dos  mais importantes álbuns da história da música brasileira, não tão diferente das lindas músicas compostas em meados dos anos 70, ela foi feita com a mais pura naturalidade com o que se pode fazer uma música, baseada em dois contextos, numa história infantil contada por João Gilberto, e num momento difícil da música no Brasil, ou seja, “Acabou chorare” foi inspirada numa historinha da então bebê, Bebel Gilberto, filha do mestre João Gilberto, pois a mesma misturava português e espanhol, pois morou uma boa parte de sua infância no México, e sempre que lhe acontecia algo ela dizia: “Acabou Chorare”, como se fosse um “ Tá tudo bem agora”.
O mais interessante disso tudo, é que os meninos dos Novos Baianos, aproveitaram também para criticar e dar um BASTA, no momento de melancolia e tristeza que assolava a música brasileira, e como um grito de “Vai ficar tudo bem agora”, essa belíssima música, que exala bossa nova, foi um marco na história musical dos Novos Baianos, e hoje 40 anos depois com o violão de Moraes Moreira, ela ainda embala como canção de ninar, meninas assim como eu.
Adoro o som dos Novos Baianos, e aqui está o motivo de meu blog se chamar “Achorare, era pra ser “Acabou chorare”, mas não deu muito certo e ficou assim, mas ta de boa, sem mais reclames, o que importa, é que, assim como a música, e o momento a qual foi composta, o meu blog se inspira em tudo isso, as palavras que aqui despejo, não como um desabafo, mas como um puro e simples grito de “Vai ficar tudo bem”, são as mais sinceras, e são como um cessar de melancolia e tristeza, que esse mundo grande insiste em nos propor.
Então tá explicado? Espero que sim! Obrigada a todos que aqui passam!
Deixo aqui o vídeo da música “Acabou Chorare”!

domingo, 11 de setembro de 2011

A Orquídea e o Jardineiro

1Eu plantei um jardim, de início as sementes que cultivei, eram de violetas, jasmins, rosas, e as minhas preferidas, as orquídeas. Ao passar do tempo, elas foram crescendo, as violetas eram violetas, os jasmins, eram jasmins, as rosas eram as mais lindas rosas, e as minhas preferidas, as Orquídeas não  eram apenas as Orquídeas, elas eram venenosas.
Dentro de meu desespero interior, me preocupei logo em saber o que ocorria com as meninas dos meus olhos. Corri por entre todos os pensamentos malditos que uma moça como eu poderia ter, procurei dentro de meu ser, de nada adiantou, nenhum especialista, nenhuma resposta, nenhuma. E quando achava que nada me responderia, me veio à idéia de olhar o rótulo das sementes que havia comprado, e ali havia quase todas as respostas.
“Eu havia comprado as sementinhas numa loja chamada “vida”, e ao trocar todas as experiências na compra dessas sementes, não percebi que a lojinha, estava apenas começando, e que no “modo de usar”, havia escrito "Todo cuidado é pouco, e você pode se machucar ou machucá-las”,  mas nesse manual, não havia ao certo o que fazer, foi então que percebi que o modo de usar, era apenas um conselho, e de resto tudo ficaria por minha conta.
Eu ri, ri muito, e fui calcular os prejuízos e os benefícios desse jardim, e tudo ficou num emaranhar de cálculos incertos e que mesmo eu que sou boa de conta me confundi, e aí lascou! Mas pensei bem, olhei ao redor, olhei as violetas, os jasmins, as rosas e as perigosas orquídeas, e tudo me veio com um raio, toda a retrospectiva de uma vida, todos os sonhos, as escolhas, as dúvidas, os amores, os que foram e os que ficaram.  E lembrei-me do que um certo jardineiro me falou. Como eu pude esquecer desse jardineiro? E comecei a relembrar.
As violetas eram o começo de tudo, eram o nascer de uma vida, assim como essa planta, foi o começo de minha vida, nascemos sobrepostas às razões e aos delicados cuidados de nossas folhas, as folhas no meu caso, eram os fortes braços de minha querida mãe, eu também assim como as violetas precisei de um pouco de pressão pra fincar minhas raízes a terra. O jasmim foi o rastro que ficou de toda uma maravilhosa infância, o doce dos sorrisos infantis, dos carinhos de pai de mãe e de irmãos, e o cheiro de inocência que só os jasmins e as crianças exalam. Até então, tudo em minha vida transcorreu regido por forças externas, cuidados familiares, normas sociais que aprendemos desde cedo, o obrigado, o “licença, por favor”, nunca desrespeite os mais velhos e os blá, blá, blá, que nos impõem quando crianças. O que acontece é, que para virarmos gente mais ou menos grande, precisamos desabrochar como rosas, sim queridos, como rosas. Percebi que por um bom período de minha adolescência, o que se viu foi o desabrochar intenso e bem particular de uma menina, e assim como as rosas, que crescem fortes e de pétalas bem delicadas, foi-se minha transição entre adolescência e a fase adulta. As rosas, são delicadas e fortes, conseguem encantar e murchar rapidamente se não bem tratadas, se adoradas, conseguimos resistência e florescemos todos os dias, se desprezadas morremos, decaímos e quase nunca levantamos, e por não permanecer Rosa, tornei-me Orquídea e ali estacionei, até que aparecesse aquele que como o homem do cavalo branco, me deu o beijo do acordar, e apaixonado por flores, me regou e me ensinou a cuidar mais desse jardim, e foi com esse jardineiro fiel, que me despetalei, e que ganhei algo muito mais que beleza, ganhei sabedoria, pra soltar o veneno que toda Orquídea deve ter, o mesmo me ensinou a cantar e ser diferente das outras, e a não pensar que tudo eram apenas flores (risos), mas que nesse jardim, poderia sim, se fazer festas constantes e travessuras que só flores e jardineiros podem fazer. E foi assim que descobri o que me perturbava, o erro no inicio dessa historinha, não foi com a semente, mas em como se deu o cultivo das flores, o jardineiro me disse com toda sua sabedoria antes de ir embora, ao ver o jardim pronto e com todas as flores da vida firmes: Olha moça! Aqui está teu jardim, florido, cheio de vida, claro que algumas pétalas de tuas flores foram arrancadas, outras caíram por si só, esse teu jardim foi trabalhoso, tu chorastes tanto ao ver tudo indo por água a baixo, mas eis aqui o que tu construíste minha querida Orquídea, tu nascestes frágil como violetas, cresceste lindamente como jasmins, desabrochou e murchou como rosas, e decidiu reviver como Orquídeas, e não te preocupa com o veneno que tu e tuas Orquídeas viestes a adquirir, ele é a proteção que tu tens para com esse jardim, que ainda florescerá mais e mais vezes, quanto às Orquídeas elas são teu reflexo, lembra-se que a loja que tu compraste as sementes chamava-se “vida”? Essa loja era a tua vida e o modo de usar ninguém mais poderia inventar, porque a força de cuidar e resolver os problemas de nossos jardins está em nós mesmos, mas que de vez em quando, precisamos sim, de um jardineiro extra para administrar melhor as flores que ali nascem, eis aqui o meu papel, te ajudei no que era preciso e você foi uma boa aluna, mas não esqueças de pôr um nome em teu jardim”.
E  assim foi-se meu querido jardineiro, me deixando um legado enorme de aprendizados, mas algo me enfocava ainda, que nome se dá a um jardim como esse?  Foi nesse dilema que me veio o nome “Vida”, meu jardim se chama Vida. E sentada olhando o rio que corta minha cidade, lembro-me todos os dias de como foi trabalhoso cuidar desse jardim, e quão gratificante é lembrar-me disso tudo. A luta com o jardim continua, pois como ele se chama Vida, o mais normal é que ele permaneça vivo, assim como a dona dele, o Jardineiro aparece de vez em quando, me dá uma dica ou outra e depois como todas as vezes, ele vai embora, pra que eu sozinha decida o que fazer, e  minhas flores murcham quando isso acontece, mas regada com bons sentimentos e esperanças, elas revivem pra um outro ciclo. E assim recomendo, protejam seus jardins, trabalhem para que tudo corra bem, e se nada adiantar procure um jardineiro, é válido, e é gratificante. Mas lembrem-se: Tu, somente tu, serás responsável pelo cultivo deste jardim.


sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Sem Mandamento e nem documento

Hoje eu queria todos os sonhos em mim, queria que de vez em quando meus sonhos ou pelo menos metade deles, coubessem aqui nesse espaço, queria ao menos registrá-los, assim como na música “Sem Mandamentos” do Oswaldo Montenegro, a qual, um dia conversando com um amigo, declarei que quando a escutava me dava uma vontade de sair correndo pela rua, e dar mesmo, assim como ele também me declarou isso, e é essa a sensação de se desejar tudo de bom, em que o TUDO, é tudo aquilo que você tem a desejar naquele exato momento. Queria que esses mesmos sonhos fluíssem sem pretensão aqui nessa página. Hoje eu quero somente sentir o dia que me foi dado de presente, abraçar quem ainda estar aqui, e nesse momento dizer a essa pessoa o quanto é necessário ela estar aqui; Ser feliz por segundo, tomar chocolate no canudo, assim com fazia quando criança. Hoje eu só quero ser a criança que eu sou desde que nasci, e é algo que não abro mão, a molecagem que transparece em qualquer momento, em qualquer situação, e é disto que me valho, e é assim que me faço feliz, sendo quem sou. Hoje eu só quero viver o amor que tenho, e dá-lo a quem puder recebê-lo, sem ter que distribuir satisfações a quem quer que seja, pois Freud “não tá me dizendo nada pra mim” nesse momento (risos), eu sou o que sou, e teoria nenhuma ditará o que sinto, ou o explicará de forma alguma. Isso não se explica, não agora. Hoje tudo que interessa pode ser guardado, os beijos, os abraços, as brigas, as juras de amor eterno, tudo pode se eternizar hoje, porque hoje é o que se deseja muito. Hoje a saudade não vai doer e o amor que está distante, estará sempre aqui do lado, e o dia que está quente, ficará “bonito pra chover, no ponto de se molhar, no ponto de se amar, no ponto de se brotar”. Porque assim o poeta escreveu um dia. Hoje todos os beijos serão nossos, todos os abraços, todos os gostos e todas as flautas doces tocarão para nós, todos os sorrisos, até o mais puro deles, todos os movimentos exatos do nosso corpo, toda a sinceridade dos sentimentos, porque presente e futuro são hoje. Hoje eu queria mudar uma história triste, acho que este é o maior de todos os desejos que tenho hoje. Hoje não queria encerrar nenhum ciclo, nem passar esses últimos momentos adiante. Hoje eu quero tudo, tudo que for por amor. Hoje eu aceito até a mesmice do hoje que me incomoda tanto, pois hoje eu aceito até aquele samba maravilhoso que você fez pra mim, apesar de saber que ele é descaradamente mentiroso. Hoje é dia de cuidar bem do que se tem, hoje eu poderia até pedir pra você não ir, se eu não soubesse que gosto tanto de você. Hoje eu queria que alguém mudasse de verdade sua maneia de viver a vida, e queria também que a mesma olhasse um pouco mais pra dentro das pessoas e que descobrisse que as mesmas são de carne e osso. Hoje eu quero tantas coisas, que nem sei mais.
Hoje eu queria mesmo era sair correndo pela rua, sem lenço, sem mandamentos e nem documentos.