segunda-feira, 13 de maio de 2013

EI, MÃE!



Ao me tornar professora, eu decidi também, ter uma boa convivência com meus alunos, por termos uma idade um pouquinho próxima, acho que os mesmos identificam-se comigo. Durante a semana num bate papo descontraído em sala de aula, perguntei a eles, quem iria a festa dos dia das mãe, alguns levantaram as mãos rapidamente, outros baixaram a cabeça; eu, num olhar atento de professora, perguntei aos que não iriam, o porquê de não comparecerem, eram uns sete adolescentes, os mesmo não precisaram de muitos motivos para justificar suas ausências, cada um deu seu motivo, e o motivo era o mesmo:
“PROFESSORA, EU NÃO TENHO MAIS MÃE”
Eu juro, nunca soube o que é perder um filho, e muito menos o que é não ter uma mãe, mas a dor que senti ao ouvi tais motivos, tais respostas, foi sem igual, era como se tivesse eu, abortado todos os argumentos possíveis em minha aula, logo eu, que falo mais que todos eles, meu olhos marejaram, rasos d’água ficavam cada vez que escutava e via a tranquilidade dos fatos que os meninos órfãos de mães me diziam, relatavam com imensa tristeza como e quando as mães haviam os deixado. Depois da aula, pedi pra os mesmos ficarem comigo em sala, eles sentaram –se, e eu disse que jamais havia imaginado quão fortes eles são, e que se os mesmos pudessem me dar um abraço, eu ficaria muito feliz. Eles me abraçaram e num gesto muito bonito, um deles me disse: RELAXE PROFESSORA, A GENTE JÁ SE ACOSTUMOU, E MÃES NÃO SÃO ETERNAS, UM DIA ELAS SE VÃO MESMO, E A GENTE FICA AQUI, SENDO GENTE GRANDE ANTES DO TEMPO.
Passei o dia a refletir, e mais uma vez aprendi com eles o real valor de algo, não sei o que é ser mãe, mas sei o que é ter, e não somente uma, mas ao nascer depois de 10 anos, eu fui abençoada com 4 mães,  e 2 país, sou filha caçula numa família de 4 irmãos mais velhos, e creio que não há dedicação maior em minha vida do que ter estas quatro mulheres comigo, nunca soube o que é perder tanto com a ausência de uma mãe, mas imagino que não há buraco maior do que a falta da mesma. Hoje num dia em que todos estão assim, meio sensibilizados com a presença ou com a falta, eu digo que, em meio a doçura e aprendizados de ambos, entre Cria, criatura e criador, eu posso com toda firmeza dizer que sou uma filha muito feliz e que eu não poderia ter sorte maior em ter sido mimada entre os seios que me amamentaram e as mãos suaves de minhas irmãs que me seguraram e me seguram até hoje; Mãezinha linda, não me importo em ser guiada por ti, visto que já sou gente grande e por sorte ter me tornado assim ao teu lado e na hora certa, e não se preocupe, eu acho justo e positivo que tu tenhas me parido e eu ter te dado todo o direito de parir meu destino, e tenho que discordar, meu querido, Erasmo Carlos, Proteção nunca Desprotegeu filho algum.
FELIZ DIA DAS MÃES!

domingo, 5 de maio de 2013

E QUE SEJA JUSTA TODA FORMA DE AMOR!




Há mais ou menos vinte dias, eu me tornei uma pessoa especial, digo isso, pois de uma forma muito encorajadora, certas coisas vieram a mim e se mostraram de inicio em forma de dificuldades, de empecilho, mas agora vejo que nada mais nada menos era pra me mostrar, que nem tudo está perdido, basta olhar em volta e achar a perfeição de cada coisinha.
Como já disse, há vinte dias eu me tornei especial, minha mãe fraturou o quinto metatarso, e isto a está rendendo dias em casa, com um pé no gesso, tendo que andar com desconfortáveis muletas, as tais que ela tanto temia, mas tem que se usar. Minha mãe na primeira semana, quase não saiu de casa, tivemos que ir a uma consulta e antes de chegarmos ao hospital, decidimos parar para comprar umas coisinhas que precisávamos, ao descer do carro, nos deparamos com uma calçada a qual não havia uma rampa de acesso para cadeirantes, ou pessoas com muletas, enfim, para alguém com alguma necessidade especial, tive que deixá-la no carro e fazer o que tínhamos que fazer sozinha. Esta foi a primeira situação constrangedora a qual passei e me doeu ver minha mãe passando, e isto me fez refletir muito sobre um ditado, “Só sabendo e sentimos certas coisas, quando passamos pela mesma”.
No dia seguinte, passo no cruzamento da Avenida Frei Serafim com Miguel Rosa, e vejo um rapaz numa cadeira de rodas sem poder subir na calçada, o mesmo num desespero sem fim, pois os carros passavam raspando em sua cadeira, o constrangimento era tanto, todos a olhar e ninguém pra ajudar, eu num ato louco, atravesso a avenida, abandono o carro no meio do trânsito e o pego quase no colo, e consigo de uma forma que nem eu mesma sei, coloca-lo em cima da calçada alta, o menino que me parecia tão constrangido, mais que agradecido, abaixou a cabeça e quase me pedindo desculpas saiu dizendo “Esse trânsito é meio louco, não é, moça? Obrigada!” E assim saiu e meu coração apertado ficou, pois ali, eu o ajudei, mas, e depois? Quantas calçadas altas ele enfrentaria sem se quer a ajuda de alguém? Quantos ainda iriam ser espectadores de tamanha novela da vida real? Eu saí com as pernas tremendo, os braços cansados e a descrença numa sociedade que não tem senso de solidariedade. Passei o dia cansada, mas cansada de pensar naquela cena, poderia ser eu, poderia ser qualquer pessoa na pele daquele menino, e poderia ser a minha mãe que com muletas caminha agora.
No dia seguinte, vejo uma professora desesperada atrás de uma professora de dança para um trabalho com adolescentes especiais, a mesma havia ligado pra dezenas de pessoas, os mesmos ao saber qual seria o publico alvo, dispensavam. Ela cansou de ligar e respirou fundo, eu ri e perguntei, “Você precisa de uma professora de dança?”, ela disse que sim, eu sem pensar, disse “Pois eis aqui”, ela sem entender me perguntou se eu não iria nem querer saber quem são, como são os alunos, e se eu teria tanta disposição e paciência para tais, eu disse que só queria saber os dias, e que os alunos nós professores não escolhemos, ela me deu o horário e assim eu estou cá, a nascer de novo, e a me tornar especial há duas semanas.
Meus alunos são considerados, crianças Q. Is baixos, com dificuldades na fala, retardação nos movimentos, são até considerados incapazes para certas atividades, mas, não para mim, eu tenho um diálogo constante com os mesmos, e vejo em cada palavra soletrada a vontade que muitos que se dizem “normais”, não têm, eu tenho oito alunos com idades de 13 a 20 anos, e eu digo que renasci e me tornei especial vinte anos, cada volta na cidade que dou até chegar neste lugar, eu volto renovada, pois tenho a certeza de que cada abraço recebido de cada um deles ao me verem chegar, é uma certeza, de que tudo vale a pena, e não há dinheiro, não há recompensa maior do que fazer a diferença entre tantas pessoas diferentes de cada ser que se diz humanos.  Descobri que há tanto a ser feito, que há tanto a ser contribuído, eu tenho duas pernas saudáveis, dois pés feios de bailarina, mas que me levam ao impossível se o impossível for ajudar. As dificuldades são enormes, não há rampas, não há solidariedade suficiente, e não há aceitação para com essas pessoas, que são iguais a nós, só que, um tanto especiais, mas a cada um desses meninos e meninas que eu vejo três vezes por semana, que aqui há muito amor, e muita vontade de que um dia, os mesmos possam receber coisas tão especiais quantos eles deste mundo nada normal e destas pessoas nada saudáveis.