O carnaval acabou, as mascaras caíram, os abraços diminuíram, o coitado do Pierrot, parou de chorar pela Colombina, mas ainda assim, nasceram outros Pierrot e cresceram outras Colombinas nesta comédia erudita que é a vida, fato? Não sei! O que sei é que tudo se renova, o ano realmente começa, assim como os novos amores que surgem em meio a folia, as amizades que parecem nem serem concretas construídas em quatro dias, mas que duram, duram até o próximo carnaval, duram para sempre, as fotos que marcam momentos incríveis, o friozinho da cidade quente, pois pra quem mora aqui em “Terezona” e não viajou, curtiu o clima abafado e aconchegante do dia nublado, e da costela enroscada em dias confusos. É, quem ficou aqui, assim como eu, soube realmente o que se faz, quando não há nada pra fazer, ler livros, assistir filmes, correr atrás do bloco que nem é seu robe, abraçar amigos que tu ver todos os dias, se resolver com um amor que já estava passando do ponto de tão complicado que é, mas tão doce que dá agonia, em fim, sempre há algo a fazer quando não se tem nada para fazer. E foram dias assim, que passei encostada na cabeceira da cama, na mesinha da sala, lendo os melhores contos de Machado de Assis, olhando nos olhos de quem se gosta de verdade, falando besteira e esquentando meus pés magros entres os lençóis e as coxas de uma outra pessoa, tendo câimbras horríveis e dores de cabeça sem explicações ao chegar ao céu. É assim que se vive um carnaval, sentindo saudades, matando as mesmas, pensando em como não amar tanto alguém, e em como depois que tudo acabar, começar realmente o ano, e viver o que tem que ser vivido, comemorar mais uma primavera, rememorar a primavera de um amor, se desfazer até do que te fez feliz, eliminando também, todas as mentes desconfiadas, e aproveitar o que te faz viver de verdade, quanta coisa hein?
É carnaval, é o ano que começa de verdade, é a vida que te dar chances, é o que te faz suspirar, é o amor, é a dor, é tudo que há. São as Cinzas da Quarta-feira de Cinzas, é o resquício da morgação, o amor que nem é próprio, o amor que é doado, o outro que é esquecido, o beijo quente e saboroso do homem bom, o corpo quente da febre que não passa, o bolso vazio e a alma cheia, é carnaval minha gente! É a festa das sombras sob o maravilhoso sol e o contagiante frevo dos sonhos. É carnaval minha gente! É o que vai ser esquecido e revivido no próximo bonde, sem ser aquele “Bonde 56” do Wilson Batista, pois esse nunca chegou e nem descarrilhou. É carnaval minha gente, é samba, batucada, é bossa é jazz, é blues, é o Arnaldo Batista enfadando minha vida e a de quem mais estiver deprimido, mas eu amo assim mesmo, é carnaval minha gente, sou eu, você no “Bloco do eu sozinho, de toda e qualquer maneira, na bateria calada, nas cinzas de quarta-feira”.
É carnaval minha gente!
Nenhum comentário:
Postar um comentário