Eu
me despedi, sem lágrimas, sem falsa moral, sem esboçar nenhuma rigidez nas
palavras, senti-me como se estivesse chegando de uma viagem longa, sim,
despedir-se de um amor e seguir, é como a chegada de uma viagem longa, daquelas
que se viveu tanto o lugar explorado, que se deixou tanta pegada no local, que
se viveu o máximo que se poderia viver e assim como todas as viagens, um
pouquinho de imprevistos. A cada palavra lançada, com consolos e pequenas
alterações de vozes, lembrava-se uma peça de roupa retirada da grande mala, pois
arrumar e desfazer as malas para esta criatura aqui, é a parte mais chata e
trabalhosa de uma chegada ou de uma partida, sempre esquecemos algo, e sempre
carregamos bagagem demais... Desfazer as malas é como arrancar cada caminho
percorrido por nós, assim nos desfazemos e fazemos com os amores, dizer “Até
Logo”, é como desfazer malas e arruma-las de novo, é trabalhoso, é árduo, e não
menos corajoso. O meu desfazer de malas, foi tranquilo, um pouco doloroso e um
tanto corajoso, é como se minha viagem tivesse sido tão gratificante que não houvesse
do que se lamentar e nem do que se glorificar, apenas rir, lembrar e seguir, e
pensar que outras viagens virão, umas mais rápidas do que as outras, outras bem
mais cheias de imprevistos e não menos interessantes. O segredo de tais
desapegos é não olhar pra trás, não calcular o prejuízo e nem a desesperar-se com
a bagunça que ficou na casa. Chegue, feche a porta, desfaça suas malas e
planeje outra viagem, de preferência sozinha.
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