Houve um tempo
em que tudo era tão quente, tão intenso e tão bonito, que o que sobrava eram
duvidas, neste mesmo tempo o que se fazia era samba, o que se comia era amor e
o que se bebia era nada mais, nada menos que vinho, o que se tocava era o bonde
e o que se desejava era tudo relacionado ao caos. Hoje, em tempos tão maduros,
o que se colhe é o que não se plantou, pois creio que nem tudo que se planta
dá-se numa boa colheta, e nem tudo de ruim que se colhe é má semente pra
próxima plantação, hoje o que se abraça são frutos doces e cheios de gordices,
são essas mesmas que nos fazem satisfeitos em sermos o que somos, em abrir a
boca cheia e proferir palavras de acalanto, ou até mesmo passar horas sem dizer
uma palavra, ficar calado muitas vezes traduz-se em textos ao silêncio, e são
textos enormes por sinal, com direito a notas de rodapés e tudo mais. Plantando
e colhendo assim, nos faz querer plantar outro jardim, podar plantações
passadas e trabalhar com flores, esquecer ervas daninhas e cultivar Orquídeas,
sem venenos, s’il vous plaît e com amor, por gentileza!
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