Em fim começo a me achar em meio ao que estudo a 3
longos anos naquela universidade, em fim, estarei concluindo tudo que é mais
esperado por mim mesma, não tem nada a ver com a conclusão do curso, mas algo
tão importante quanto saber o seu próprio nome, é saber a que você veio neste
mundo.
Alguns ainda insistem na nobre decisão do velho
passeio turístico, eu não to aqui a passeio, mas de vez em quando me proponho a
ir na “bubuia” como alguns chegados dizem, é, deixo, redeixo, me lanço em tudo
que é mais barulhento e fiel ao que penso mesmo. Só que a partir de hoje, eu
dedico-me a descobrir minha vocação, ser ou não ser um professor? Doar ou não o
que se aprendeu, ou que se adquiriu ainda dentro de um nobre ventre? Pergunta
mais do que difícil. O fato é que, ao observar uma das professoras de português
em uma escola a qual escolhi para elaborar meu plano de observação da prática
I, (disciplina mais do que chata), percebi que mais do que vocação, você tem
que gostar mesmo do que faz, pois saibam, o ambiente de sala de aula chega a
ser assustador em alguns casos. Ao ser acompanhada pela coordenadora pedagógica
da escola até a sala da tal professora, senti um friozinho na barriga ao andar
por corredores, sensação essa, engolida pela curiosidade. No meio do caminho
encontro a ministrante, ela nos saúda com um largo sorriso, e logo percebo que
não era a mesma professora que haviam me indicado para tal estágio, olhei a
amiga que me acompanhava e ri, mas pensei: Se houve uma confusão, que assim
seja... Acertei na mosca, nada é somente por acaso, e para tudo há uma
explicação, nem que seja tarde, mas sempre há. Ao entrarmos na sala, fomos fuziladas com um
quê de curiosidade pelos pequenos, “mas quem serão essas duas que chegaram, meu
deus?”, era exatamente o olhar dos alunos do 6º ano A. Juro que fiquei sem
jeito, mas ri amarelo, dei bom dia, e sentei-me ao fundo da sala de aula, logo
depois aparece a professora, que de primeira me pareceu muito legal, o barulho
que ensurdece até o mais surdo dos homens, me deixava numa mistura de agonia e
cansaço, detalhe: “adolescentes não falam, eles gritam”, minha vontade na hora,
era de sair correndo e me trancar em meu quarto e ouvir minha companheira Nina
Simone no seu maior volume de “Feeling good”, confesso que aquilo “é coisa de
louco”, pensei. Mas como num passe de mágica, a professora dá um misero grito,
e sutilmente pede silencio uma, duas, três vezes, eles relutam em meio ao
pedido, mas logo, logo se acalmam, e dá-se inicio a aula de português e
produção de textos. Em meio a explicação de um tal “Canteiro de Poesia”, no
qual os mesmo iriam aprender a produzir uma poesia, a professora dava um pulo
aqui e outro acolá, ria alto, dava gargalhadas, uma piadinha aqui e outra ali,
o interessante é que assim, é que a mesma conseguia o domínio da turma, prático
e engraçado. Parei para observar a expressão desta mesma professora, e percebi
uma mulher extremamente responsável, e a mesma por mais que estivesse ali pra
exercer sua função de cidadã, professora, estava ali também, por gosto ao que
faz, pensei: Como ela consegue? É um papel mais que trabalhoso e por muitas
vezes injusto, é uma escola com poucos recursos e com o mínimo de valorização
ao profissional que ali se expõe, como é que alguém consegue se sobressair de
forma tão sutil? Sentei-me ao lado de uma menininha meiga e estudiosa, talvez a
mais interessada e inteligente da sala, e numa distração da professora,
perguntei: O que você acha desta professora? Ela riu tímida e disse: É a
professora que eu mais gosto, ela é divertida, alegre, e sabe dar aulas. Isso
foi lindo! Será que um dia serei assim, admirada? E o mais interessante, ao vir
falar e saber mais sobre a gente, ela nos relatou que era a pessoa mais tímidas
que havia em seu tempos de estudante, não abria a boca nem para bocejar, e lá se
vai a pergunta que nunca cala: Como assim, professora, como você conseguiu esse
domínio? Ela riu docemente e disse: Prática, minha cara, Prática e muito amor
ao Freinet.
Não sei, mas que coisas simples e autenticas como
estas, deve-se estar atento, exemplos
assim me deixam em estado de euforia, mas com ou sem Freinet, eu ainda tenho
duas semanas pra descobri e responder as perguntas que me fiz no começo deste
texto.
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