Sim, eu sou aquela de ontem, meio passada com tudo, não, não
tenho tatuagens, sou beatnik, trago na veia um submundo de juventude
anti-conformista, sou careta, não fumo careta, mas me afeiçoou a todas as ervas
balanceadas, sou bruxa, faço feitiços para me endurecer diante do radical, sou
malandra, tenho o feminino como arma e o mesmo como o veneno por ser mulher,
pago este preço todos os dias; tenho carne como as de minha mãe e irmãs, tenho
o órgão pronto a receber, e impedido de expulsar, tenho as mãos de minha avó,
que não era pura e ainda assim viveu, não, não tenho santidade nem no nome, pois os
meus nomes são todos os que quiserem me chamar, para todos os efeitos, sou Ana,
Maria, Feliz... Sou verbo indiretamente transitório, transo em qualquer
esquina, sou puta, sou eu, sou grande, sou quem quiser, sou mulher.
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