sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Sou quem quiser


Sim, eu sou aquela de ontem, meio passada com tudo, não, não tenho tatuagens, sou beatnik, trago na veia um submundo de juventude anti-conformista, sou careta, não fumo careta, mas me afeiçoou a todas as ervas balanceadas, sou bruxa, faço feitiços para me endurecer diante do radical, sou malandra, tenho o feminino como arma e o mesmo como o veneno por ser mulher, pago este preço todos os dias; tenho carne como as de minha mãe e irmãs, tenho o órgão pronto a receber, e impedido de expulsar, tenho as mãos de minha avó, que não era pura e ainda assim viveu,  não, não tenho santidade nem no nome, pois os meus nomes são todos os que quiserem me chamar, para todos os efeitos, sou Ana, Maria, Feliz... Sou verbo indiretamente transitório, transo em qualquer esquina, sou puta, sou eu, sou grande, sou quem quiser, sou mulher.

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