Ao me tornar professora, eu
decidi também, ter uma boa convivência com meus alunos, por termos uma idade um
pouquinho próxima, acho que os mesmos identificam-se comigo. Durante a semana
num bate papo descontraído em sala de aula, perguntei a eles, quem iria a festa
dos dia das mãe, alguns levantaram as mãos rapidamente, outros baixaram a
cabeça; eu, num olhar atento de professora, perguntei aos que não iriam, o
porquê de não comparecerem, eram uns sete adolescentes, os mesmo não precisaram
de muitos motivos para justificar suas ausências, cada um deu seu motivo, e o
motivo era o mesmo:
“PROFESSORA, EU NÃO TENHO MAIS
MÃE”
Eu juro, nunca soube o que é
perder um filho, e muito menos o que é não ter uma mãe, mas a dor que senti ao
ouvi tais motivos, tais respostas, foi sem igual, era como se tivesse eu,
abortado todos os argumentos possíveis em minha aula, logo eu, que falo mais
que todos eles, meu olhos marejaram, rasos d’água ficavam cada vez que escutava
e via a tranquilidade dos fatos que os meninos órfãos de mães me diziam,
relatavam com imensa tristeza como e quando as mães haviam os deixado. Depois
da aula, pedi pra os mesmos ficarem comigo em sala, eles sentaram –se, e eu
disse que jamais havia imaginado quão fortes eles são, e que se os mesmos
pudessem me dar um abraço, eu ficaria muito feliz. Eles me abraçaram e num
gesto muito bonito, um deles me disse: RELAXE PROFESSORA, A GENTE JÁ SE
ACOSTUMOU, E MÃES NÃO SÃO ETERNAS, UM DIA ELAS SE VÃO MESMO, E A GENTE FICA
AQUI, SENDO GENTE GRANDE ANTES DO TEMPO.
Passei o dia a refletir, e mais
uma vez aprendi com eles o real valor de algo, não sei o que é ser mãe, mas sei
o que é ter, e não somente uma, mas ao nascer depois de 10 anos, eu fui
abençoada com 4 mães, e 2 país, sou
filha caçula numa família de 4 irmãos mais velhos, e creio que não há dedicação
maior em minha vida do que ter estas quatro mulheres comigo, nunca soube o que
é perder tanto com a ausência de uma mãe, mas imagino que não há buraco maior
do que a falta da mesma. Hoje num dia em que todos estão assim, meio
sensibilizados com a presença ou com a falta, eu digo que, em meio a doçura e
aprendizados de ambos, entre Cria, criatura e criador, eu posso com toda
firmeza dizer que sou uma filha muito feliz e que eu não poderia ter sorte
maior em ter sido mimada entre os seios que me amamentaram e as mãos suaves de
minhas irmãs que me seguraram e me seguram até hoje; Mãezinha linda, não me
importo em ser guiada por ti, visto que já sou gente grande e por sorte ter me
tornado assim ao teu lado e na hora certa, e não se preocupe, eu acho justo e
positivo que tu tenhas me parido e eu ter te dado todo o direito de parir meu
destino, e tenho que discordar, meu querido, Erasmo Carlos, Proteção nunca Desprotegeu filho algum.
FELIZ DIA DAS MÃES!

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