Ouvindo ‘A Bossa de Caetano, que é um dos discos desse ‘Malandro Sentimental’, sim, ‘Malandro Sentimental’, que mais gosto, me veio um emaranhar de lembranças ao ouvir ‘Samba e Amor’, essa música me diz tanto, e lembrei-me de uma história, a qual existia sempre uma moça, um homem e um violão. Os três quase que inseparáveis, pois se havia um encontro em meio às tardes quentes de Teresina, lá estavam os três, e mesmo quando as circunstâncias insistiam em colocar um em cada lado do país, sempre havia um som de violão de um Homem e sempre uma vozinha de menina embutida em meio às lembranças dele, e havia sempre um cheiro ‘fuzi’ em um canto frio do país a sacudir os pensamentos do homem. E quando se retornavam um para o outro, retornava-se sempre a Moça, o Homem e o Violão, como sempre, e assim em meio aos acordes embriagavam-se de prazer, ele com a voz doce dela e ela com a malícia de homem grande dele, que a deixava ainda mais pequena do que já era, era como na música ‘Mimar Você’, tudo era eterno ali naquele momento, e as vozes sempre se encaixaram. A Moça, sempre que encontrava o Homem com o Violão, lembrava-se de como tudo começou, e assim era em todos os encontros, era só ele pegar o violão, e ela se derretia, e até o violão embriagava-se, e o mesmo compreendia tudo, mesmo quando faltavam uma ou duas cordas, o som era perfeito. E era Samba e amor a tarde inteira, porque a Moça não madrugava e a noite no caso, era dia, e sempre depois do amor, havia o Samba, o qual um dia quando a Moça nua, deitada no chão do quarto a olhar fixamente para o homem, pediu: ‘Toca pra mim?’, ele com um sorriso de menino que somente ele tem, pegou o violão e mandou-lhe o ‘Samba e Amor’ e mais uma vez a moça ao fechar os olhos e ouvindo a voz rasgada do homem, DERRETEU-SE, e ao terminar, ela com os olhos de Tigresa, olhou pra o homem e disse: ‘Lindo! Você sempre toca essa para todas? E ele rindo a olhando com todo amor falou “Não! Eu só toco pra você, porque eu detesto tocar para os outros”. Ela fechou os olhos novamente, e feliz com o que ouviu, jamais esqueceu o que o homem disse. E assim continuaram a tarde toda até escurecer, até o relógio decidir que a moça se fosse, como era de costume.
Foi aí que nessa madrugada, ouvindo a ‘Bossa de Caetano’ e todo o movimento da rua, com os bêbados a rosnar como cães, e os namorados se beijando ao vento quente da madrugada, que lembrei-me da história desses três enamorados, e eu assim digo: Que tudo está associado e ligado por algo bem mais forte que as coincidências da vida, as lembranças os pedidos misturados com a fé, tudo é muito poderoso quando é com vontade, quando é com amor. E eu continuo aqui, com o Samba e sem nada de Amor (risos), sem pedir nada, a não ser que o sono venha e me faça parar de escrever besteira rsrsrsrsrs....
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