Olhado para o céu é impossível sentir-se sozinho, isso é fato, ainda mais com a lua que estava lá fora, que chegava a ser enfadada de tão linda que era. Para contemplá-la, foi válido até caminhar nos toc, toc do meu salto alto em pleno trânsito de pessoas ambiciosas por um corpo bem trabalhado da Avenida Raul Lopes, e que de tão deslumbrados que estavam consigo mesmo, nem reparavam naquela que se exibia lá em cima. E eu com minha introspecção que só eu e uns milhares temos, caminhei muito, exalando loucura e repulsa ao que é de carne e osso, e me privando de olhar pra o mundo que passava por mim, só imaginava eu e minha querida lá em cima, lado a lado, e deixava minha imaginação que é pura fertilidade trabalhar ao som de Elis, Chico, e um certo Vazo problemático o que não poderia faltar, pois caminhar sob a luz daquela lua sem uma boa música, JAMAISSSSS! “Achorando” como eu só, cantei baixinho, como se somente eu e a menina que brilhava lá fora ouvíssemos “Chove quando é para chover”, e eu mais uma vez sorri sozinha, e adimirando minha própria distração disse a mim mesma: Olha só você Ana, cantando o “Equilibrio”, como se fosse a mais equilibrada das mulheres, e que bom que não sou mesmo, e nessa minha andança por aí, aproveitei pra pedir desculpas a mim mesma, aos meus sentimentos que andei magoando, às minhas dores que andei camuflando, logo elas que são mais expostas que eu mesma, pedi desculpas pela falta de coragem de dizer não, pela fraqueza ao dizer sim, me desculpe Ana Caroline, me desculpe Ana Caroline! E quando já não havia mais nada a fazer a não ser me desculpar, sentei-me e abracei o acaso, escarrei as tristezas, desperdicei a arrogância e vomitei as incertezas, isso sim é que é fazer um bom proveito de uma noite.
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